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Tartaruga verde deixa lista de espécies ameaçadas de extinção

Espécie tem experimentado um notável aumento em suas populações, salvando-se de uma situação crítica de quase extinção

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

A tartaruga verde, uma das maiores espécies de quelônios marinhos, tem experimentado um notável aumento em suas populações, salvando-se de uma situação crítica de quase extinção. Este progresso é considerado por especialistas como um dos grandes sucessos da conservação global.

Historicamente, a espécie enfrentou uma intensa pressão devido à caça indiscriminada por sua carne, ovos e carapaça decorativa, resultando em um drástico declínio numérico ao longo do século 20. Desde a década de 1980, as tartarugas verdes estão listadas como ameaçadas de extinção.

No entanto, graças a décadas de esforços para proteger a espécie — que incluem a proteção das praias de desova, a diminuição da captura acidental em redes de pesca e a educação das comunidades costeiras — as populações globais começaram a se recuperar. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o número de tartarugas verdes aumentou aproximadamente 28% desde os anos 1970.

Segundo informações do portal Independent, a coloração esverdeada da gordura corporal das tartarugas é resultado de sua dieta predominantemente herbívora. As iniciativas de conservação têm incluído patrulhas nas praias, proteção das mães e seus ovos, soltura de filhotes no mar e a introdução de equipamentos pesqueiros que evitam a captura acidental dos quelônios.

Reclassificação

Em um recente congresso mundial realizado em Abu Dhabi, a IUCN anunciou que a tartaruga verde foi reclassificada de “ameaçada” para “menos preocupante”. A lista atual da IUCN abrange 172.620 espécies, sendo que 48.646 delas estão ameaçadas de extinção.

Roderic Mast, co-presidente do grupo especializado em tartarugas marinhas da comissão sobre sobrevivência das espécies da IUCN, afirmou: “A recuperação global contínua da tartaruga-verde é um exemplo poderoso do que a conservação global coordenada ao longo das décadas pode alcançar para estabilizar e até restaurar populações de espécies marinhas longevas.” Ele enfatizou ainda que as abordagens devem não apenas focar nas tartarugas, mas também na preservação de seus habitats e funções ecológicas.

Apesar das notícias positivas, especialistas alertam que as populações de tartarugas verdes ainda estão bem abaixo dos números históricos e continuam enfrentando ameaças significativas, como destruição de habitat, pesca excessiva e mudanças climáticas. Em certas regiões, como na Ilha Raine na Austrália, as taxas de sucesso na eclosão dos filhotes estão em declínio, evidenciando que os esforços de conservação precisam ser mantidos e intensificados.

Sobre a lista

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) é muito mais do que um simples registro de espécies ameaçadas: trata-se de um dos instrumentos mais importantes para medir a saúde da biodiversidade global. Ela funciona como um termômetro do planeta, reunindo dados detalhados sobre a distribuição, o tamanho das populações, o habitat o uso e o comércio das espécies, bem como as principais ameaças e ações de conservação necessárias para sua proteção.

Utilizada por governos, órgãos ambientais, ONGs, instituições de pesquisa e até empresas, a Lista Vermelha orienta decisões estratégicas que afetam diretamente o equilíbrio ecológico e o futuro dos recursos naturais dos quais dependemos. O processo de elaboração dessa lista é um esforço colaborativo em escala mundial, envolvendo a Equipe de Avaliação e Conhecimento da Biodiversidade da IUCN, especialistas da Comissão de Sobrevivência de Espécies e uma ampla rede de parceiros científicos.

Graças a esse trabalho conjunto, diversos grupos de espécies já foram avaliados de forma abrangente, incluindo mamíferos, anfíbios, aves, peixes de água doce, corais e árvores formadoras de recifes. Além de catalogar novas espécies, o projeto também realiza reavaliações periódicas, permitindo observar tendências e medir o impacto das ações de conservação. Em alguns casos, há motivos para comemorar: determinadas espécies conseguiram melhorar seu status na escala da Lista Vermelha, resultado direto de esforços de preservação bem-sucedidos.

No entanto, o panorama geral ainda é preocupante. A biodiversidade do planeta continua em declínio alarmante. Atualmente, mais de 172.600 espécies estão registradas na Lista Vermelha, e mais de 48.600 encontram-se ameaçadas de extinção. Os números revelam a gravidade da situação: 44% dos corais construtores de recifes, 41% dos anfíbios, 38% das árvores, 38% dos tubarões e raias, 34% das coníferas, 26% dos mamíferos e peixes de água doce e 11,5% das aves estão em risco.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.