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O novo código de Zodíaco que pode indicar sua identidade

Pesquisadores afirmam ter decifrado segundo trecho criptografado atribuído ao serial killer conhecido como Zodíaco

Zodíaco capa
Retrato falado do "Assassino do Zodíaco" / Crédito: Getty Images

Uma nova interpretação de um dos códigos atribuídos ao assassino conhecido como Zodíaco reacendeu o debate sobre a verdadeira identidade do serial killer que aterrorizou a região da Baía de São Francisco no fim da década de 1960. Ex-especialistas da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) afirmam que um segundo trecho criptografado foi decifrado com sucesso e reforça uma teoria apresentada recentemente pelo pesquisador independente Alex Baber.

Segundo Baber, o responsável pelos crimes seria Marvin Merrill, veterano militar nascido em Chicago que também utilizava o sobrenome Margolis. A hipótese ganhou força após o pesquisador afirmar ter solucionado a chamada cifra Z13, um código de apenas 13 caracteres enviado pelo criminoso ao jornal San Francisco Chronicle em abril de 1970. A mensagem, há décadas considerada indecifrável, supostamente escondia a identidade do assassino.

Para chegar ao resultado, Baber combinou técnicas tradicionais de criptografia, inteligência artificial e registros censitários disponibilizados recentemente. De acordo com sua interpretação, a sequência codificada revela o nome “Marvin Merrill“. A partir dessa descoberta, ele reuniu uma série de evidências circunstanciais para sustentar sua tese, incluindo supostas conexões entre Merrill e os assassinatos do Zodíaco, além da morte da atriz aspirante Elizabeth Short, conhecida como Dália Negra, encontrada assassinada em Los Angeles em 1947.

Identidade de Zodíaco?

Embora essa associação entre os dois casos continue altamente controversa e sem reconhecimento oficial das autoridades, um novo estudo independente chamou a atenção de especialistas em criptografia.

O responsável pela nova análise é Thomas Hefner, um pesquisador amador radicado em Estocolmo, na Suécia. Após conhecer o trabalho de Baber, ele decidiu aplicar a mesma metodologia a outro trecho nunca solucionado de uma mensagem muito mais extensa enviada pelo Zodíaco em julho de 1969.

Conhecida como Z408 por conter 408 caracteres, a cifra foi enviada em três partes para diferentes jornais do norte da Califórnia. Poucas semanas depois, Donald e Bettye Harden, um casal de professores, conseguiram decifrar praticamente toda a mensagem. O texto revelado começava com a frase: “Eu gosto de matar pessoas porque é muito divertido”.

Cifra Zodíaco Z408
A decodificação da cifra Z408 – CCOA/Alex Baber

Entretanto, os últimos 18 caracteres permaneceram sem explicação. Durante mais de cinco décadas, criptógrafos profissionais e amadores tentaram interpretar esse trecho final, chamado de Z18, sem chegar a uma conclusão amplamente aceita.

Em publicação feita na comunidade dedicada ao caso no Reddit, Hefner explicou que percebeu a repetição de cinco letras “E” na sequência final e levantou a hipótese de que elas funcionassem apenas como caracteres de preenchimento destinados a dificultar a decifração. Ao removê-las, restaram exatamente 13 símbolos, coincidindo com o tamanho da cifra Z13.

A partir daí, Hefner empregou os mesmos princípios utilizados por Baber, incluindo substituição homofônica — técnica em que uma mesma letra pode ser representada por diferentes símbolos — e transposição, que consiste em reorganizar a ordem dos caracteres. Apesar de os símbolos utilizados nas duas cifras serem diferentes, o método levou novamente ao nome Marvin Merrill.

A coincidência chamou a atenção de Ed Giorgio, ex-chefe dos departamentos de criação e quebra de códigos da NSA. Segundo ele, a equipe formada por outros dois ex-criptógrafos da agência, Patrick Henry e Rich Wisniewski, analisou detalhadamente a nova proposta antes de considerar que ela merece crédito.

Para Giorgio, o fato de dois códigos independentes produzirem o mesmo resultado torna a hipótese significativamente mais consistente do que uma simples coincidência. Na avaliação do especialista, os 18 caracteres finais da Z408 parecem funcionar como uma assinatura criptografada deixada pelo próprio assassino.

Outro elemento citado pelos defensores da teoria é um trecho presente na própria mensagem Z408, em que o Zodíaco afirma que sua identidade estaria contida no código e que, quando ele fosse decifrado, os investigadores o encontrariam. Para Hefner, isso indicaria que o nome do criminoso realmente estaria escondido na parte final da cifra, e não no restante da mensagem já solucionada.

Apesar do entusiasmo dos pesquisadores envolvidos, a hipótese continua distante de representar uma solução definitiva para um dos maiores mistérios da história criminal dos Estados Unidos. As autoridades nunca reconheceram oficialmente Marvin Merrill como suspeito dos assassinatos, e especialistas independentes em criptografia ainda não chegaram a um consenso sobre a validade matemática da nova decifração.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.