Em 1915, uma mulher foi supostamente enterrada viva na Carolina do Sul
Mulher enterrada viva no início do século passado foi desenterrada e viveu mais algumas décadas antes de falecer, segundo relatos de testemunhas

Algumas pessoas têm medo de altura, outras de lugares fechados. E há aquelas que temem ser enterradas vivas. Embora a ideia pareça absurda, houve na história situações do tipo. Um dos casos mais conhecidos é o de Octavia Smith, que, no fim do século 19, entrou em estado de coma após a morte do filho e foi considerada morta pelos moradores da região. Depois do sepultamento, os locais descobriram que uma doença provocava um quadro semelhante ao óbito e que alguns pacientes despertavam dias depois.
Quando decidiram abrir novamente o túmulo, era tarde demais: Octavia teria recuperado a consciência dentro do caixão e tentado desesperadamente escapar, mas sem sucesso. Como eles sabiam? Ao abrirem o caixão, observaram as marcas deixadas pela mulher nas paredes internas da estrutura antes de morrer.
Mas aqui contaremos sobre o caso de alguém que teve um desfecho diferente e que, de certa forma, teve muita sorte. Estamos falando de Essie Dunbar. Há mais de um século, a norte-americana teria sido enterrada, desenterrada, e, surpreendentemente, vivido mais algumas décadas antes de morrer definitivamente já na velhice.
Quem foi Essie?
Infelizmente, não sabemos muito sobre a vida de Essie antes do episódio que a tornou conhecida, apenas que nasceu em 1885 e que vivia na Carolina do Sul, onde levava uma rotina simples ao lado da família. Tudo mudaria quando, em 1915, a americana sofreu uma grave crise epiléptica que a fez perder completamente a consciência. A situação foi tão extrema que seus familiares chegaram a acreditar que ela havia morrido.
Como informa uma matéria do portal All That’s Interesting, na época, um médico chamado D.K. Briggs foi chamado para examinar a moça. Mas os recursos para confirmar um óbito eram muito limitados. Não havia equipamentos modernos capazes de monitorar atividade cardíaca ou cerebral e o diagnóstico dependia basicamente da observação clínica. Logo, ao não encontrar sinais aparentes de vida, Briggs declarou que a paciente, de 30 anos, estava morta. A notícia abalou a família, que rapidamente começou os preparativos para o funeral, que ocorreria no dia seguinte.
O historiador Jan Bondeson, autor do livro “Buried Alive: The Terrifying History of Our Most Primal Fear” (Enterrado Vivo: A História Assustadora do Nosso Medo Mais Primitivo), escreveu na obra que, ao escolher o horário da cerimônia, a família da mulher levou em consideração uma das irmãs de Essie, que morava em outra cidade. A ideia era que ela pudesse comparecer. Mesmo assim, a parente acabou se atrasando e, diante da demora, a família decidiu prosseguir com o enterro.
O caixão, que era feito de madeira, foi baixado à sepultura e coberto por terra. Então poucos minutos depois, a irmã finalmente apareceu. Devastada por não ter conseguido se despedir, ela insistiu para ver Essie pela última vez. Sensibilizados com o pedido, os religiosos que haviam realizado a cerimônia autorizaram que o caixão fosse desenterrado. O que aconteceu a seguir foi algo totalmente inesperado.
Um grande susto
Surpreendentemente, assim que a tampa foi removida, Essie Dunbar teria simplesmente se sentado dentro do caixão e aberto um sorriso para a irmã. O choque foi imenso e alguns dos familiares acreditaram estar diante de um fantasma. Segundo relatos da época, muitas pessoas saíram correndo desesperadas. Mesmo os três ministros que haviam conduzido a cerimônia tentaram fugir e acabaram caindo sobre a sepultura aberta. Um deles teria quebrado três costelas na confusão.
Na realidade, se a história aconteceu da forma como foi registrada posteriormente, a mulher simplesmente havia recuperado a consciência após ter sido dada como morta erroneamente. Ainda segundo relatos de testemunhas, Essie conseguiu retomar sua vida normalmente após o ocorrido, sem carregar sequelas.
Em 1955, o jornal The Augusta Chronicle publicou uma reportagem afirmando que ela trabalhava na colheita de algodão e recebia auxílio do governo. Na ocasião, o periódico observou que ela havia sobrevivido ao médico que a declarou morta quarenta anos antes.
O médico O.D. Hammond, citado na reportagem, contou que tratou um dos ministros feridos durante o tumulto causado pelo suposto despertar de Essie no funeral. De acordo com o profissional da saúde, a mulher em questão era bastante conhecida na comunidade e levava uma vida tranquila.
Essie Dunbar veio a falecer somente em 22 de maio de 1962, aos 77 anos, no Hospital do Condado de Barnwell, na Carolina do Sul.
Pesquisadores pedem cautela
Apesar da enorme popularidade da história, pesquisadores alertam que ela deve ser vista com cautela.
O site especializado em checagem de fatos Snopes classificou o caso como “não comprovado”. A principal razão é a ausência de registros contemporâneos sobre o suposto enterro em 1915. As descrições mais detalhadas surgiram apenas décadas depois, principalmente a partir do livro de Jan Bondeson, publicado em 2001, além de referências feitas em jornais durante a década de 1950.
Isso significa que não há documentação suficiente para confirmar exatamente como os acontecimentos ocorreram ou se alguns detalhes foram exagerados ao longo dos anos.