DNA do Sudário de Turim lança luz sobre história biológica
Considerado um dos artefatos mais estudados, o Sudário de Turim passou por uma nova análise de DNA; quantidade de informação encontrada impressiona

No dia 9 de julho, um estudo na revista Scientific Reports, revelou os resultados da nova análise do DNA do Sudário de Turim. Conforme o estudo, há uma complexa história biológica preservada entre as fibras do linho que pode ser debatida.
Nesse sentido, esse que é considerado um dos objetos mais estudados do mundo, foi o primeiro a aplicar métodos avançados e rigorosos de sequenciamento genômico. De forma a dissecar as informações contidas nas amostras do Sudário de Turim em 1978.
Assim, foi possível visualizar o resultado das assinaturas biológicas deixadas nesses séculos em que o objeto sagrado esteve em contato com humanos e o meio biológico.
A análise e as marcas históricas no Sudário de Turim
De acordo com a revista Phys, ao analisar, foi possível identificar várias linhagens de DNA mitocondrial humano. Ao mesmo tempo que havia um rico micro bioma composto por bactérias, fungos e micro-organismos amantes do sal.
Nesse sentido, também foram encontrados vestígios de DNA de plantas cultivadas, animais domesticados e até coral vermelho mediterrâneo. Possivelmente, um indicador dos lugares que o Sudário de Turim passou, ou por quem passou, antes de ser recolhido pela Igreja Católica.
Fato é que os séculos de contato humano tornaram impossível qualquer tentativa de isolar o DNA original associado à Jesus. No entanto, outras informações importantes como a história cultural, as interações ambientais e os contextos sociais em que o sudário passou podem ser encontrados nas abordagens metagenômicas.
Não obstante, também foram encontrados os DNA’s de inúmeras espécies vegetais e animais. Inclusive, trigo, cenoura, milho, banana, amendoim , bois porcos, galinhas, cães e até gatos.
Noemi Procopio, professora de ciência forense da Universidade de Lancashire, participou do projeto e faz parte da equipe internacional interessada em dissecar os vestígios presentes nesse item lendário. A professora disse:
O Sudário de Turim continua a fascinar historiadores, cientistas e o público, e estamos entusiasmados em revelar novas informações sobre a complexidade biológica preservada dentro de amostras coletadas há quase 50 anos, aplicando novas tecnologias de DNA forense de ponta. […] Embora a evidência de DNA não possa responder a todas as perguntas sobre a idade ou autenticidade do pano, ela fornece novos insights sobre sua história biológica e demonstra como os avanços na ciência forense podem desbloquear novas informações de artefatos históricos.”
Apesar das controvérsias, o objeto, por muitos considerado, sagrado ainda é alvo de intenso estudo e ainda pode revelar muito sobre suas origens.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes