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O colar de passageiro do Titanic encontrado após 113 anos

Em meio aos destroços do Titanic, que naufragou em abril de 1912, um colar no estilo de joias de luto foi descoberto recentemente; confira!

Colar descoberto nos destroços do Titanic / Crédito: Divulgação/RMS Titanic, Inc.

Na madrugada entre os dias 14 e 15 de abril de 1912, ocorreu no Oceano Atlântico Norte o que ficou eternizado na história como uma das maiores tragédias marítimas que o mundo já viu: o naufrágio do RMS Titanic em sua viagem inaugural. O navio tinha mais de 2.200 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, dos quais mais de 1.500 morreram.

O RMS Titanic partiu de Southampton, na Inglaterra, e tinha como objetivo cruzar o Oceano Atlântico até chegar em Nova York, nos Estados Unidos, com paradas em Cherbourg, na França, e em Queenstown (atual Cobh), na Irlanda. No entanto, a viagem foi interrompida a entre 600 e 740 quilômetros da costa de Terra Nova, no Canadá, quando colidiu com um iceberg.

Mesmo hoje, 113 anos após o Titanic afundar, o naufrágio segue sendo extremamente relevante, e chama atenção de exploradores — como os envolvidos na tragédia do submersível Titan em junho de 2023 — e pesquisadores, que continuam fazendo descobertas a partir dos destroços. E entre esses achados, recentemente foi encontrado um antigo colar que pertenceu a um de seus passageiros, que possivelmente morreu na época do naufrágio.

Antiga fotografia do RMS Titanic
Antiga fotografia do RMS Titanic / Crédito: Getty Imagens

Apesar de o artefato ter sua história ainda envolta em grande mistério, como quem foi e o que aconteceu com seu dono original, especialistas determinaram que possivelmente se trata de uma joia de luto da Era Vitoriana. Confira!

Descoberta

Conforme repercute o All That’s Interesting, em 2000, uma equipe de mergulhadores da RMS Titanic, Inc. recuperou do naufrágio um grande pedaço de alguns fragmentos menores do campo de destroços. E foi nesse bloco escavado, chamado de concreção — formado por pedaços de sedimentos, areia, rocha, materiais corroídos e outros detritos, fundidos devido à imensa pressão nas profundezas do mar —, que o colar em questão foi descoberto, muito depois.

Na época, eles pensaram ter descoberto todos os artefatos que poderiam ser retirados da amostra coletada. Mas foi só recentemente que uma análise mais detalhada revelou o colar escondido no meio dos sedimentos, que passou mais de duas décadas despercebido, pois também estava fragmentado, explicaram os especialistas.

Fragmentos do antigo colar / Crédito: Divulgação/RMS Titanic, Inc.

Finalmente, quando os conservadores perceberam que havia algum artefato não identificado dentro da concreção, começaram a trabalhar mais delicadamente na peça, removendo sedimentos aos poucos. Eventualmente, se depararam com pequenas contas pretas em forma de octógonos e corações, algumas infelizmente quebradas, mas muitas ainda unidas, mesmo após décadas soterrado no fundo do mar.

Dono enlutado?

Após a descoberta do colar, a RMS Titanic, Inc. tentou identificar também quem pode ter sido o dono da peça. No entanto, quando vasculharam os vários pedidos de indenização de seguros feitos após o acidente marítimo, não encontraram nada. Isso não apenas tornou praticamente impossível identificar seu dono, como pode indicar, inclusive, que essa pessoa pode ter sido uma das vítimas da tragédia.

No entanto, o que os especialistas puderam afirmar sobre a peça, que chama atenção, é que ela era provavelmente uma joia de luto da Era Vitoriana. Foi apontado que as contas do colar eram feitas de azeviche francês, um tipo de vidro preto mais barato e que imita a pedra preciosa azeviche.

Partes do colar descoberto nos destroços do Titanic / Crédito: Divulgação/RMS Titanic, Inc.

Vale mencionar que na Inglaterra, principalmente durante as eras Vitoriana e Eduardiana, o uso de joias de pedras pretas, como azeviche ou ônix, era comum entre pessoas em luto. Essa prática se popularizou principalmente após a rainha Vitória aparecer no funeral de seu marido, o príncipe Alberto, em 1862, usando peças de azeviche — que continuou a usar pelo resto de sua vida —, e pode oferecer um detalhe extra sobre o dono original do colar descoberto no Titanic.

“Este colar é um poderoso lembrete de que cada artefato conta uma história pessoal”, afirmou em comunicado a presidente e diretora de coleções da RMS Titanic, Inc., Tomasina Ray. “Do trabalho artesanal aos materiais, ele oferece um vislumbre único do estilo, dos sentimentos e do cotidiano dos passageiros do Titanic.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.