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Submersível Titan foi danificado oito missões antes de implosão

Relatório final determina que o submersível Titan já estava danificado e tinha "múltiplas anomalias" antes de implosão; confira!

Submarino Titan
Submarino Titan - Divulgação / OceanGate Expeditions

O acidente trágico envolvendo o submersível Titan, que resultou em sua implosão durante uma missão ao redor dos destroços do Titanic, foi atribuído a falhas estruturais ocorridas em missões anteriores. Essa conclusão faz parte do relatório final do National Transportation Safety Board (NTSB), divulgado recentemente.

Conforme apurado pelo NTSB, após a 80ª missão, os tripulantes relataram um “forte estrondo” ao emergirem, som que também foi detectado pelos sistemas de monitoramento da missão. A análise indicou que este barulho era decorrente de pelo menos uma delaminação na estrutura do Titan, um processo no qual camadas de material se descolam.

Outras delaminações foram registradas durante a 82ª missão, e na 88ª, o submersível sofreu uma implosão fatal a aproximadamente 3.350 metros de profundidade no Oceano Atlântico Norte. Na ocasião, cinco pessoas estavam a bordo, incluindo Richard Stockton Rush, CEO da Oceangate, além de um copiloto e três bilionários.

A investigação revelou que os procedimentos inadequados de engenharia comprometeram a integridade estrutural do submersível, resultando em anomalias significativas que não atendiam aos requisitos de resistência e durabilidade necessários para operar em profundidades extremas. O NTSB destacou que a Oceangate não conduziu testes apropriados para avaliar a verdadeira durabilidade do Titan.

Relatório anterior

As conclusões do NTSB alinham-se com as observações feitas pela Guarda Costeira dos EUA em relatório anterior. Ambos os documentos criticam severamente as práticas da Oceangate, que encerrou suas operações logo após o incidente. O NTSB detalhou que as delaminações geraram fissuras nas camadas de fibra de carbono do casco, comprometendo sua rigidez estrutural vital para suportar a pressão em grandes profundidades.

Apesar de ter realizado dois mergulhos subsequentes após o primeiro dano identificado, o Titan experimentou deteriorações adicionais antes da missão fatal. Entre os fatores que contribuíram para o acidente estão as condições inadequadas de armazenamento e operações de reboque que expuseram o submersível a vibrações excessivas.

O NTSB também identificou falhas no processo de construção e nos testes realizados pela Oceangate. O relatório aponta que materiais compostos usados no casco apresentavam diversas anomalias como rugas e porosidade, além de não ter sido realizada uma avaliação adequada da durabilidade do submersível após múltiplos mergulhos.

Além disso, a falta de monitoramento eficaz impediu que técnicos identificassem os danos após o mergulho 80, situação que exigia a imediata retirada do submersível para manutenção. O documento da Guarda Costeira complementa essa análise ao afirmar que o desastre era evitável e resulta principalmente da perda da integridade estrutural do casco.

A Guarda Costeira apontou também uma cultura organizacional tóxica dentro da Oceangate, onde existiam disparidades significativas entre as normas de segurança documentadas e as práticas reais. A empresa promovia uma imagem do Titan como indestrutível e buscava evitar regulamentações adequadas, gerando uma falsa sensação de segurança tanto para passageiros quanto para reguladores.

Embora tenha sido alegado pela Oceangate que o Titan possuía certificações relevantes e vínculos com instituições como a NASA e Boeing, depoimentos revelaram que essas organizações tinham participação limitada no desenvolvimento do submersível devido à sua natureza experimental, repercute o g1.

A análise das circunstâncias anteriores à implosão também trouxe à tona relatos de falhas em expedições anteriores e pressões internas na empresa para continuar as operações sem garantir a segurança necessária. Testemunhas descreveram incidentes em que o submersível enfrentou problemas mecânicos sérios antes da tragédia.

Por fim, ex-funcionários da Oceangate expressaram preocupações sobre a prioridade dada ao lucro em detrimento da segurança operacional. Essa combinação de negligência organizacional e decisões arriscadas culminou na implosão fatídica do Titan.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.