Relíquia de Pelé da Copa de 1958 bate recorde de valor em leilão
A camisa usada pelo Rei na final de 1958, que simboliza o início de sua era global, será vendida em Nova York com valor estimado em R$ 30 milhões

A histórica camisa 10 azul, vestida por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958 contra a Suécia, será o destaque do leilão “The Beautiful Game” da Sotheby’s.
Com lances previstos entre 29 de junho e 16 de julho, a relíquia tem valor estimado em mais de US$ 6 milhões (cerca de R$ 30 milhões), cde acordo com o InfoMoney. Isso pode torná-la o item vinculado ao craque mais valioso já negociado e desafiar recordes mundiais de peças esportivas.
O manto da santa
A escolha do uniforme azul, hoje icônico, nasceu de uma emergência supersticiosa após um sorteio definir que o Brasil não poderia usar amarelo na final contra os anfitriões.
O chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, comprou as vestimentas às pressas em Estocolmo e escolheu a cor em homenagem ao manto de Nossa Senhora Aparecida para acalmar os atletas aflitos.
Os números e escudos foram costurados manualmente pelo massagista Mário Américo e pelo roupeiro Francisco Alves durante a viagem de trem para a decisão. Por uma falha no envio da lista oficial, os números foram atribuídos aleatoriamente pela FIFA, resultando no jovem atacante herdando a mística camisa 10.
Foi com esse uniforme que o jovem de 17 anos marcou dois gols no 5 a 2, consolidando-se como o mais jovem a balançar as redes em uma final de Mundial.
Relíquia salvou museu
Após o título, Pelé presenteou seu companheiro de quarto, Dida, com a peça histórica. A camisa permaneceu décadas em Maceió com a família do jogador alagoano até ser doada ao Museu dos Esportes Edvaldo Alves Santa Rosa em 1993.
Em 2004, o museu enfrentava uma crise financeira severa, com goteiras, infiltrações e cupins ameaçando o acervo. A venda da “joia da coroa” por US$ 105 mil na Christie’s garantiu reformas estruturais urgentes e a manutenção do local aberto.
A autenticidade é reforçada por análises fotográficas e pelo testemunho de campeões como Zagallo e Nilton Santos, que visitaram o museu e reconheceram a procedência do item.
Investimento em história
A valorização do item, que subiu cerca de 60 vezes em duas décadas, reflete o crescimento do mercado de memorabilia como ativos financeiros globais.
O leilão ocorre estrategicamente durante a Copa de 2026, com o uniforme em exibição pública em Manhattan a partir de 1º de julho, repercute o InfoMoney.
Especialistas acreditam que o martelo pode superar a famosa camisa do “Gol da Mão de Deus” de Maradona, vendida por US$ 9,28 milhões em 2022, reafirmando o legado global do primeiro grande ícone do futebol.
*Sob supervisão de Éric Moreira