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A ‘anomalia’ perto das pirâmides que pode revelar um portal antigo

Descobertas recentes nas Pirâmides de Gizé revelaram a possível existência de entradas subterrâneas para câmaras há muito tempo perdidas; confira!

Pirâmides de Gizé / Crédito: Getty Images

Erguidas entre 2.600 a.C. e 2.500 a.C., durante o Antigo Reino do Egito, na Quarta Dinastia, as Pirâmides de Gizé certamente estão entre os monumentos mais impressionantes já construídos pela humanidade. Na Antiguidade, foram listadas entre as Sete Maravilhas do Mundo Antigo; e hoje são as únicas que continuam de pé, sendo assim os maiores símbolos do esplendor egípcio.

Vale mencionar que as pirâmides, no Egito Antigo, serviam como grandiosos e imponentes tumbas para faraós mortos, e as principais de Gizé são três: a Grande Pirâmide, também conhecida como Pirâmide de Quéops, a maior das três que foi concluída por volta de 2560 a.C.; a Pirâmide de Quéfren, concluída por volta de 2530 a.C. (quando também foi esculpida a Grande Esfinge); e a Pirâmide de Miquerinos, concluída por volta de 2510 a.C..

Porém, mesmo sendo conhecidas há tanto tempo, e já tão exploradas por estudiosos, egiptólogos, historiadores e arqueólogos, as pirâmides ainda hoje são palco de descobertas e pesquisas surpreendentes, que revelam mais detalhes sobre a engenhosidade de seus construtores no passado, além de passagens subterrâneas e cada vez mais secretas. E recentemente, técnicas modernas de análise de solo revelaram ainda mais do passado da região.

Pirâmides de Gizé / Crédito: Getty Images

Técnicas modernas

Conforme repercute o site Popular Mechanics, poucas ferramentas modernas foram tão revolucionárias no mundo da Arqueologia quanto o radar de penetração no solo (GPR). Nesta técnica geofísica, pulsos de radar são lançados ao solo, permitindo a geração de imagens do subsolo — e essa técnica que parece bastante abstrata já revelou navios vikings na Noruega, civilizações perdidas da selva amazônica e até cidades romanas inteiras, sem necessidade de serem escavadas.

E no Egito, pesquisadores liderados por Motoyuki Sato, pesquisador da Universidade de Tohoku, no Japão, utilizaram o GPR próximo das Pirâmides de Gizé; e acabaram descobrindo o que foi descrito como uma “anomalia em forma de L“, que intrigou os profundamente os especialistas, no cemitério ocidental próximo.

O estudo que descreveu a descoberta foi publicado na revista Archaeological Prospection. Ele descreve a estrutura como localizada a aproximadamente 2 metros da superfície, mede 10 metros de comprimento, e foi aterrada logo após a construção.

“O Cemitério Ocidental de Gizé é conhecido como um importante local de sepultamento de membros da família real e oficiais de alta patente“, escreveram os pesquisadores no artigo. “No levantamento inicial por GPR e ERT, encontramos uma anomalia ao norte da área pesquisada. A área da anomalia pôde ser estabelecida aproximadamente, mas a estrutura e a localização não estavam claras”.

Anomalia subterrânea

Segundo o estudo, debaixo dessa estrutura em forma de L, que estava situada a entre 4,8 e 10 metros de profundidade, havia uma anomalia “altamente resistiva a eletricidade”, descreveram os pesquisadores. Essa anomalia, por sua vez, levantou teorias que a tentavam explicar.

Entre essas teorias, estão as possibilidades de que essa anomalia poderia ser uma mistura de areia e cascalho, ou até um “espaçamento esparso com vazios de ar”. Sabe-se que a área circundante foi construída há cerca de 4.500 anos, mas, embora já se saiba há muito tempo que a área está repleta de tumbas de teto plano, a faixa de areia em que a anomalia foi encontrada nunca foi escavada com tanta intensidade, tendo em vista que ali não havia estruturas impressionantes que motivassem uma investigação minuciosa.

Vista aérea das Pirâmides de Gizé / Crédito: Getty Images

Até agora, o que realmente é essa estrutura e sua função original continua um mistério. Mas certamente esta não é uma formação natural, tendo em vista que o formato é muito pontiagudo, conforme ressaltou Sato ao Live Science.

“Pode ter sido uma entrada para uma estrutura mais profunda”, escreveu Sato e a equipe no artigo. Ele também afirma possuir a suspeita de que a estrutura seja uma tumba: “Acreditamos que a continuidade entre a estrutura superficial e a grande estrutura profunda seja importante. A partir dos resultados da pesquisa, não podemos determinar o material que causou a anomalia, mas pode ser uma grande estrutura arqueológica subterrânea“.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.