Vida pode ter se recuperado rapidamente após asteroide que extinguiu os dinossauros
Novo estudo sugere que a vida pode não ter demorado tanto tempo para se recuperar após o impacto do asteroide que dizimou os dinossauros, há 66 milhões de anos

Um estudo recente sugere que novas espécies podem ter surgido em um intervalo surpreendentemente curto após o impacto do asteroide que eliminou os dinossauros não aviários. De acordo com as investigações, novas espécies de plâncton podem ter aparecido em menos de 2.000 anos após o impacto de Chicxulub, ocorrido há aproximadamente 66 milhões de anos, o que adiciona uma nova dimensão ao debate sobre a rapidez com que a vida se recuperou após essa catástrofe.
A pesquisa, publicada em 21 de janeiro na revista Geology, revela que a recuperação da vida marinha ocorreu muito mais rapidamente do que os cientistas haviam estimado anteriormente. Chris Lowery, coautor do estudo e paleoceanógrafo no Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, destacou a importância das descobertas em comunicado: “é absurdamente rápido. Esta pesquisa nos ajuda a entender a rapidez com que novas espécies podem evoluir após eventos extremos e também a rapidez com que o meio ambiente começou a se recuperar após o impacto de Chicxulub.”
Após o impacto do asteroide, que possuía cerca de 12 quilômetros de largura e atingiu a costa da Península de Yucatán, nuvens de poeira e fuligem obscureceram temporariamente a luz solar. As condições frias e escuras persistiram por aproximadamente uma década, resultando na extinção de cerca de 75% das espécies vegetais e animais, repercute o Live Science.
Pesquisas anteriores sugeriam que levaria cerca de 30.000 anos para que novas espécies começassem a aparecer. Essa estimativa baseava-se na suposição de que os sedimentos oceânicos se acumulavam em uma taxa constante durante esse período. No entanto, os pesquisadores observaram que essa premissa pode não se aplicar ao cenário pós-impacto.
Retorno da vida
Para elucidar esse aspecto, os cientistas utilizaram um novo marcador: o hélio-3, um isótopo que chega à Terra juntamente com a poeira interplanetária em uma taxa constante. Medindo a quantidade de hélio-3 presente em diferentes camadas sedimentares, foi possível determinar o tempo necessário para a formação dessas camadas. Os pesquisadores usaram medições previamente coletadas de hélio-3 em seis locais distintos para calcular quando novas espécies fósseis começaram a aparecer.
Os resultados indicaram que Parvularugoglobigerina eugubina apareceu em média 6.400 anos após o impacto em todos os seis locais analisados. Em alguns casos, as novas calibragens sugerem que outras espécies podem ter emergido ainda mais rapidamente, em menos de 2.000 anos. Entre 10 e 20 espécies de plâncton surgiram ao longo de aproximadamente 11.000 anos, embora persista um debate sobre quais fósseis devem ser considerados como espécies distintas.
Timothy Bralower, geocientista da Penn State e coautor do estudo, afirmou: “a velocidade da recuperação demonstra o quão resiliente é a vida. Ter vida complexa restabelecida em um instante geológico é verdadeiramente surpreendente.”
Embora a formação de novas espécies normalmente demande milhões de anos, esse processo pode acelerar significativamente em períodos de estresse ambiental, como foi o caso após o impacto do asteroide. Os achados podem oferecer uma perspectiva sobre como novas espécies poderiam surgir como resposta às influências humanas contemporâneas. Bralower concluiu: “isso também pode ser reconfortante quanto à resiliência das espécies modernas, dada a ameaça da destruição antropogênica do habitat.”