Vaticano confirma que católicos podem receber órgãos de animais
Documento do Vaticano, aliado a médicos especialistas, afirma que católicos podem fazer transplantes de órgãos animais

Nesta terça-feira, 24, o Vaticano soltou um documento de 88 páginas dissertando sobre os xenotransplantes, transplantes de órgãos animais. No texto, um debate teológico e médico era feito, assuntos como a natureza da alma humana, a implicação da carne na alma foram levantados.
Vale a pena lembrar que não mais a Igreja Católica e a ciência andam separadas, o atual papa, Leão XIV, por exemplo, já lançou artigos científicos.
Seja como for, no texto, a utilização de órgãos animais geneticamente modificados para humanos foi autorizada para católicos. Porém, o Vaticano colocou uma condição: os doadores dos tecidos não podem sofrer de qualquer crueldade humana.
No entanto, a notícia ganha destaque devido algumas contradições envolvendo o mundo cristão e os papas.
A doação humana
Primeiramente, vale destacar a diferença da norma católica da de outras congregações cristãs, congregações essas em que nem mesmo a doação de sangue entre humanos é permitida.
Conforme os dogmas dessas, o transplante da carne implica na própria passagem da alma e dos pecados/impurezas nela contidos. Clara discordância espiritual, lógica e teológica. A diferença é reafirmada no trecho do documento citado:
A teologia católica não tem preclusões, em uma base religiosa ou ritual, no uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos”
Contradição no Vaticano
Em segundo lugar, apesar da autorização e do incentivo da doação de órgãos entre os humanos, o Vaticano entrou em polêmica ao desautorizar a doação de órgãos do falecido Papa Bento XVI.
Todavia, segundo a revista digital L’Officiel, essa história só veio a tona quando, em 2011, um médico achou um cartão de doador emitido por uma associação médica em 1970 pertencente a Joseph Aloisius Ratzinger, nome de batismo do Papa Bento XVI.
Entretanto, segundo o Vaticano, não podiam autorizar a doação dos órgãos em questão, pois além do corpo papal pertencer a instituição. Corria o risco da figura ser santificada e os órgãos virarem relíquias de primeiro grau (parte dos corpos de santos da Igreja Católica) vivas.