Universidade Stanford vence disputa e mantém diários de ex-assessor de Mao Tsé-Tung
Após longa disputa, tribunal assegura que a Universidade Stanford mantenha os diários do ex-assessor de Mao Tsé-Tung, evitando a censura do governo chinês

Um tribunal da Califórnia determinou que a Universidade de Stanford manterá a posse dos diários de Li Rui, ex-secretário de Mao Tsé-Tung.
A deliberação encerra uma disputa internacional sobre os documentos históricos que detalham décadas de atuação do Partido Comunista Chinês. Com isso, a instituição americana assegura que o acervo permanecerá protegido e acessível aos pesquisadores.
Acervo histórico preservado
Os registros do ex-funcionário abrangem o período de 1938 a 2019, englobando correspondências, atas de reuniões, fotografias e anotações diversas. De acordo com informações do jornal O Globo, entre os relatos de maior peso, destaca-se a visão testemunhal de Li Rui sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial.
Por conseguinte, ele descreveu o episódio como “Black Weekend”, relatando tiros disparados contra manifestantes e barricadas destruídas por blindados.
A transferência sistemática desses materiais para Stanford teve início em 2014, sendo conduzida por Li Nanyang, filha do ex-assessor. Após o falecimento do pai, ela reiterou publicamente que a doação seguia a expressa vontade dele. Contudo, a segunda esposa do falecido, Zhang Yuzhen, contestou a ação na Justiça chinesa, argumentando que os materiais causavam constrangimento pela exposição de temas íntimos.
Disputa judicial e censura
Embora um tribunal de Pequim tenha ordenado a devolução dos itens, Stanford iniciou um processo na Califórnia no ano de 2024. Durante os trâmites, a universidade argumentou que Li temia a supressão de seus relatos pela censura governamental chinesa. Dessa forma, a instituição acadêmica buscou o reconhecimento legal como proprietária legítima de todo o material preservado.
Na decisão final, a Justiça americana considerou que a doação à Hoover Institution foi legal e obedeceu aos desejos originais do autor. Durante o andamento do litígio judicial, Zhang Yuzhen acabou falecendo. Como resultado direto da sentença proferida, o veredito favorável afasta definitivamente o risco de destruição ou ocultação dos documentos na Ásia.
A diretora da Hoover Institution e ex-secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, celebrou o desfecho favorável do caso. Além de evitar o apagamento histórico, ela enfatizou que a medida assegura a conservação de um valioso relato primário sobre a China moderna. Sendo assim, a extensa coleção continuará livremente aberta a todos os interessados no estudo político internacional.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes