Túmulos da Idade da Pedra revelam que homens aparentados eram enterrados juntos na Escócia

Nova pesquisa analisou o material genético de 22 indivíduos encontrados em cinco túmulos localizados no condado de Caithness e nas Ilhas Orkney

Um dos túmulos no Loch Calder, nas Terras Altas da Escócia - Crédito: Divulgação/Vicki Cummings

Povos da Idade da Pedra no norte da Escócia enterravam homens aparentados nas mesmas tumbas, segundo um novo estudo de DNA que identificou “teias de descendência” entre diferentes sítios arqueológicos neolíticos. O mesmo não valia para mulheres.

A pesquisa, publicada nesta terça-feira, 14, na revista Antiquity, analisou o material genético de 22 indivíduos encontrados em cinco túmulos localizados no condado de Caithness e nas Ilhas Orkney. As sepulturas foram utilizadas entre 3800 e 3200 a.C., período de transição na Escócia pré-histórica, quando comunidades passaram da coleta para a agricultura.

Até então, o estado fragmentado, misturado e degradado dos restos humanos após cerca de 6 mil anos dificultava a compreensão das relações sociais da época. Com o uso de DNA antigo, os pesquisadores conseguiram investigar vínculos de parentesco e padrões de sepultamento.

De acordo com o portal Live Science, os resultados mostram que os indivíduos enterrados juntos eram, em sua maioria, parentes próximos pela linha paterna. Foram identificados pares de pai e filho em dois túmulos, irmãos em outro, além de possíveis meio-irmãos ou relações de tio e sobrinho paternos em tumbas vizinhas. Em um dos sítios, no Loch Calder, foi encontrada a primeira evidência na Escócia neolítica de três gerações — avô, pai e filho — sepultadas juntas.

Segundo a arqueóloga Vicki Cummings, da Universidade de Cardiff, é notável que, após mais de 5 mil anos, tenha sido possível reconstruir essas relações familiares por meio do DNA. Para ela, o estudo indica que essas comunidades davam grande importância à linhagem masculina.

No caso das mulheres

Já os restos femininos não apresentaram vínculos próximos entre si. Não foram identificadas, por exemplo, relações de mãe e filha ou entre irmãs, e o parentesco mais próximo entre duas mulheres correspondia ao quinto grau.

Ainda assim, duas mulheres enterradas em túmulos nas Ilhas Orkney tinham ligação genética com homens sepultados no continente, sugerindo que elas podem ter tido papel relevante na conexão entre diferentes grupos.

Embora a organização social baseada na linhagem paterna já fosse uma hipótese entre especialistas, o estudo reforça essa interpretação. Segundo os autores, para essas populações que introduziram o Neolítico na Grã-Bretanha, os laços de descendência podem ter sido tão importantes quanto vasos, gado e machados.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.