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Tiwhiri: nasce na Nova Zelândia o primeiro filhote de kakapo em quatro anos

Após quatro anos sem registros de reprodução, nasce na Nova Zelândia o pequeno Tiwhiri, filhote de kakapo, espécie de papagaio raro e endêmico do país

Tiwhiri / Crédito: Divulgação/Departamento de Conservação da Nova Zelândia/Lydia Uddstrom

O nascimento de um filhote de kakapo na Nova Zelândia marcou a primeira reprodução da espécie em quatro anos e é considerado um avanço relevante nos esforços de conservação de uma das aves mais raras do mundo. O filhote, batizado de Tiwhiri, veio ao mundo no dia 14 de fevereiro, data em que o país celebra o Dia dos Namorados, o que conferiu ao evento um simbolismo adicional para as equipes envolvidas na recuperação da espécie.

Endêmico da Nova Zelândia, o kakapo é um papagaio de hábitos noturnos que não possui capacidade de voo. A espécie apresenta um ritmo reprodutivo lento, com intervalos que variam de dois a quatro anos entre uma temporada e outra. A reprodução está condicionada, em geral, à frutificação abundante de árvores nativas, como o rimu, fator considerado essencial para o sucesso do ciclo reprodutivo.

Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, Tiwhiri nasceu de uma mãe adotiva e passa a integrar uma população estimada em cerca de 230 exemplares vivos. O número atual contrasta com o cenário da década de 1970, quando havia aproximadamente 50 indivíduos documentados, evidenciando o desafio histórico enfrentado para evitar a extinção da espécie e o ritmo gradual de recuperação populacional.

Mesmo em anos reprodutivos, os índices permanecem delicados. Nesta temporada, foram identificados 187 ovos, dos quais 74 são férteis. Ainda assim, nem todos devem eclodir, e parte dos filhotes pode não sobreviver até a fase de emplumação, etapa crucial do desenvolvimento.

Conservação da espécie

Os esforços de conservação incluem a manutenção de áreas de refúgio livres de predadores introduzidos, como a Ilha Âncora de Pukenui, onde Tiwhiri nasceu. O local é monitorado continuamente por equipes especializadas, que acompanham de perto o comportamento das aves e as condições dos ninhos.

Como parte das estratégias para ampliar a conscientização pública e garantir recursos ao programa, câmeras foram instaladas em ninhos para transmitir ao vivo o nascimento de outros filhotes ainda em incubação por outra fêmea. A iniciativa busca aproximar o público do trabalho realizado em campo e estimular contribuições para a preservação da espécie, repercute o UOL.

“A câmera Kakapo é uma ótima maneira de as pessoas verem a conservação em tempo real e fazerem sua própria contribuição para a natureza a partir de casa, do escritório ou de qualquer lugar do mundo”, afirma Tãne Davis, representante do Grupo de Recuperação Kakapo.

O Programa de Recuperação do Kakapo está em funcionamento desde 1995 e reúne diferentes parceiros com o objetivo de assegurar não apenas a sobrevivência, mas também a prosperidade da espécie em seu habitat natural. Atualmente, 236 kakapos adultos são monitorados pela equipe. Cada indivíduo utiliza um pequeno transmissor de rádio, semelhante a uma mochila, que permite rastrear sua localização e acompanhar seus níveis de atividade.

Para os responsáveis pelo projeto, o avanço obtido ao longo das últimas décadas resulta de um trabalho coletivo contínuo. “É preciso um esforço coletivo para reverter a situação e trazer o kakapo de volta da beira da extinção. Somos gratos por todo o apoio demonstrado ao longo dos anos por pessoas interessadas em fazer a sua parte pela natureza”, disse Tãne Davis.

O nascimento de Tiwhiri representa, assim, mais um passo dentro de um processo de recuperação considerado lento, mas constante, para garantir a preservação de uma das aves mais emblemáticas e ameaçadas da Nova Zelândia.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.