Tartarugas-gigantes voltam a habitar Galápagos após um século
Projeto de restauração ecológica reintroduz 158 tartarugas juvenis na Ilha Floreana, marco histórico na conservação da biodiversidade

Pela primeira vez em mais de um século, tartarugas-gigantes nasceram longe de seu habitat ancestral e foram devolvidas à Ilha Floreana, no arquipélago equatoriano de Galápagos — um dos ecossistemas mais emblemáticos e estudados do planeta.
Na última sexta-feira, 20 de fevereiro, equipes do Parque Nacional Galápagos e guardas-florestais transportaram com cuidado 158 tartarugas juvenis — com idades entre 8 e 13 anos — para Floreana, onde a espécie havia desaparecido há cerca de 150 anos por causa da caça intensa realizada por marinheiros e pela introdução de predadores invasores, como ratos e gatos.
Reintroduzindo as tartarugas
O trabalho faz parte de um amplo projeto de restauração ecológica que visa devolver à ilha espécies que desempenhavam papéis fundamentais em seu equilíbrio ambiental. Historicamente, as tartarugas-gigantes eram verdadeiros “engenheiras do ecossistema”: elas auxiliavam na dispersão de sementes, controlavam a vegetação e promoviam a regeneração natural do ambiente por onde caminhavam.
As tartarugas agora liberadas não são simplesmente exemplares de qualquer espécie, mas indivíduos criados a partir de uma população com alta carga genética relacionada à espécie nativa extinta de Floreana — Chelonoidis niger niger — o que aumenta as chances de reconstruir, a longo prazo, a composição genética original do grupo que ali existia no século XIX.
Antes da soltura, os animais passaram por quarentena prolongada e receberam microchips de identificação, procedimentos essenciais para monitorar a adaptação dos quelônios ao ambiente natural. O transporte até os pontos de libertação exigiu esforço físico dos guardas-florestais, que percorreram cerca de sete quilômetros por terrenos vulcânicos áridos e de difícil acesso carregando as jovens tartarugas em grandes caixas.
A iniciativa não apenas representa um avanço no resgate de espécies locais, mas também abre caminho para a reintrodução de outras espécies endêmicas consideradas extintas na ilha e para a recuperação de processos ecológicos que haviam sido interrompidos com a perda da população de quelônios.