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Tábuas de 4 mil anos revelam referências à cerveja e Gilgamesh

Inscrições em tábuas em escrita cuneiforme mostram que mitologia e cotidiano conviviam nos registros da antiga Mesopotâmia

Tábuas textos Gilgamesh
Tábuas continham escritos sobre Gilgamesh - Troels Pank Arbøll/Universidade de Copenhague

Um conjunto de tábuas de argila com cerca de 4 mil anos está ajudando pesquisadores a entender melhor como mitologia, economia e vida cotidiana se entrelaçavam na antiga Mesopotâmia. Os artefatos, escritos em cuneiforme, trazem referências tanto ao lendário Gilgamesh quanto a registros práticos envolvendo produção e consumo de cerveja.

As tábuas foram produzidas por escribas em um período em que a escrita já desempenhava papel central na organização das cidades mesopotâmicas. Gravadas em argila ainda úmida, elas funcionavam como documentos administrativos, registros culturais e até narrativas literárias — muitas vezes coexistindo no mesmo suporte.

A história nas tábuas

Um dos aspectos mais curiosos do achado é justamente essa mistura de conteúdos. De um lado, aparecem menções à Epopeia de Gilgamesh, considerada uma das obras literárias mais antigas da humanidade. A figura de Gilgamesh, rei de Uruk, surge nesses registros como parte de um imaginário coletivo que circulava amplamente na época.

De outro, as tábuas também incluem anotações ligadas à cerveja, uma das bebidas mais importantes da região. Na Mesopotâmia, a cerveja não era apenas um item de consumo, mas parte essencial da economia e da vida social. Registros desse tipo indicam quantidades, distribuição e, possivelmente, até formas de produção — funcionando quase como uma contabilidade primitiva.

Essa coexistência entre o épico e o cotidiano revela um aspecto interessante da cultura mesopotâmica: não havia uma separação rígida entre o simbólico e o prático. O mesmo sistema de escrita que registrava mitos fundadores também era utilizado para organizar recursos, pagamentos e alimentos.

Além disso, os textos reforçam o papel central da escrita cuneiforme, um dos primeiros sistemas de escrita da história, surgido por volta de 3200 a.C. Ao longo dos séculos, ele foi adaptado para diferentes usos — da literatura à administração — e se tornou uma ferramenta essencial para o funcionamento das primeiras sociedades urbanas.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.