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Senadores americanos voltam para prédio marcado por racismo

A Casa do Mississipi, principal Capitólio da época Jim Crow, voltou a ser ocupada por senadores para o redistritamento do estado; população contesta

Fotografias do Antigo Capitólio dos senadores do Mississipi
Fotografias do Antigo Capitólio dos senadores do Mississipi - Créditos: Getty Images

Em 1861 os senadores americanos do Mississipi se reuniram no Capitólio para votar favorável a separação da União à fim de se manter escravistas, ao lado dos Confederados. De 1839 a 1903, o prédio testemunhou algumas das histórias mais racistas de todo os Estados Unidos.

Até então, o prédio que era uma lástima na história americana funcionava como o Museu do Capitólio. No entanto, em uma sessão especial que ocorrerá no dia 20 de maio, os políticos americanos se reunirão na Casa do Mississipi para redesenhar os distritos eleitorais do estado.

De quantidade expressiva de pessoas pretas, a população do Mississipi contesta a escolha e aponta para passado racista como grande motivo para não realizar no espaço. Porém, a situação se agrava com o redesenho dos distritos, atividade que, segundo os manifestantes de esquerda, está ocorrendo para diminuir a força do voto negro na região.

A ocupação do prédio

Conforme o The Guardian, o motivo dado pelos senadores são as ostensivas reformas que estão acontecendo no prédio novo. Jason White, republicano do Mississippi, ao canal WLBT, disse que todas as sessões até janeiro de 2027 ocorrerão no Antigo Capitólio.

Porém, vale destacar que a última vez que os senadores se encontraram no Antigo Capitólio foi em 2009, durante uma comemoração pós restauração do prédio que tinha sido destruído pelo furacão Katrina.

Nem sequer durante os anos 80, em que o prédio também estava em reforma, o prédio com histórico racista foi utilizado. Inclusive, neste momento histórico, os senadores utilizaram o antigo prédio da antiga construção da Central High School, que fica no mesmo bairro.

Por outro lado, o líder da bancada legislativa negra do Mississipi, Kabir Karriem, representante democrata, disse:

Fiquei um pouco surpreso com a localização do antigo Capitólio do Estado. […] Mesmo que eles tenham dito que estavam fazendo alguma remodelação, a óptica disso é horrível para 1,2 milhão de negros aqui no estado de Mississippi.”

Mudanças da região eleitoral

Contudo, os movimentos ficaram ainda mais revoltados com as medidas tomadas pelos senadores devido ao projeto atual de redesenhar a região eleitoral. Conforme os legisladores, a medida de refazer os três distritos da Suprema Corte do estado será para diluir os votos da população negra da região — dessa forma, garantindo maiores chances para partidários de direita e brancos.

Surpreendentemente, segundo alguns relatos, até mesmo Donald Trump está envolvido no caso, uma vez que ele pediu que a legislatura do Mississippi redesenhe os distritos congressionais na tentativa de atingir Bennie Thompson — pois esse político foi o único democrata congressional do Mississippi, que presidiu as audiências do comitê de 6 de janeiro, as manifestação pró Trump.

Em suma, a população negra está sentindo que a Constituição do estado de 1890, que implementou a lei Jim Crow (lei que privou negros de votarem por décadas) está retornando.

Ainda argumentam que da mesma forma que mais de 40.000 mississipianos negros estão sendo privados de votar hoje, outras dezenas de milhares passaram por isso durante a época escravista do estado.

No mesmo sentido, Cheikh Taylor, presidente do Partido Democrata do Mississippi e representante da câmara estadual argumentou em revolta:

E agora eles planejam fazê-lo no Antigo Capitólio, o mesmo prédio onde o Mississippi votou para se separar da União sobre a escravidão, e onde os delegados da supremacia branca elaboraram a Constituição de 1890 que despojou os cidadãos negros de seus direitos de voto e inaugurou décadas de impostos, testes de alfabetização e terror racial. […] O deputado KabirKarriem está certo. É um tapa na cara dos 1,2 milhão de afro-americanos deste estado. É também uma confissão. Eles estão voltando para a cena do crime para tentar terminar o trabalho.”


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: