Satélites mostram que a Terra está ficando cada vez mais iluminada
Os satélites, com seus registros diários, revelaram um aumento na iluminação da Terra durante à noite

Com os registros apontando uma luminosidade maior na Terra durante a noite, os pesquisadores documentaram um aumento de 16% entre 2014 e 2022.
Os dados que foram publicados, nesta quarta-feira, 8, na revista Nature, ajudaram os pesquisadores a entender que existem diferenças regionais, ligadas a diferentes fatores que influenciam na luminosidade.
Em 2022, entre todos os países analisados, os Estados Unidos apresentaram a maior luminosidade total, seguido por China, Índia, Canadá e Brasil, informou A Folha de São Paulo.
O autor do novo estudo e professor de sensoriamento, Zhe Zhu, afirmou que durante décadas, eles mantiveram uma visão simplificada de que a Terra à noite está apenas ficando iluminada à medida que a população humana e as economias crescem.
“Descobrimos que a paisagem noturna da Terra é, na verdade, altamente volátil […] Ela está constantemente mudando”, disse Zhu.
Para esse estudo, os pesquisadores utilizaram mais de um milhão de imagens diárias via satélite, processadas pela NASA, em estudos anteriores eles se baseavam em imagens feitas apenas anualmente ou mensalmente.
Foi possível observar que o aumento mais expressivo ocorreu em economias emergentes, principalmente na África Subsaariana e no Sudeste Asiático. Além desses, a lista foi liderada pela Somália, Burundi e Camboja.
Zhu reforça que os números representam uma mudança profunda, à medida que as regiões fazem a transição de uma escuridão quase total para se tornarem parte da rede elétrica global.
Em locais onde a infraestrutura é comprometida por conflitos armados tendem a perder a luz. Quedas semelhantes foram observadas no Haiti e na Venezuela, onde o escurecimento aconteceu devido a crises econômicas prolongadas e ao fornecimento de energia instável.
“Na Ucrânia observamos uma queda acentuada e sustentada de luz que coincidiu perfeitamente com a escalada do conflito […] Vemos uma escuridão abrupta semelhante caindo sobre regiões do Oriente Médio durante períodos de conflito”, afirmou o professor.
Europa e Estados Unidos
Devido a avanços tecnológicos e políticas ambientais, a Europa registrou uma redução de 4% na radiância de luz noturna.
Zhu classificou a França como líder em conservação do céu escuro após a regulamentação de energia.
O coautor do estudo, Christopher Kyba, revelou que a redução na França ocorreu por causa de decisões deliberadas de desligar a iluminação pública tarde da noite, quando não há mais atividades nas ruas.
Já nos Estados Unidos foi registrado um aumento de 6% na iluminação. O professor Zhu explicou que a costa oeste ficou mais iluminada com o crescimento populacional e de economias de tecnologias vibrantes.
“Mas em grande parte da costa leste e do centro-oeste escureceu. Isso foi impulsionado pela desconcentração em núcleos urbanos mais antigos, pelo declínio de certos setores manufatureiros e pela adoção agressiva de programas de iluminação urbana inteligente e eficiente em termos energéticos”, finalizou.
Segundo a Folha, a iluminação em larga escala começou com a luz a gás nas cidades no início do século 19 e logo em seguida a luz elétrica.