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Rocha em Marte indica que o planeta pode ter tido clima tropical no passado

Estudo identifica possível caulinita na cratera de Jezero e reforça hipótese de que Marte teve muita água há bilhões de anos

Imagem da cratera de Jezero mostra depósito de rochas claras analisadas pelo rover Perseverance • Créditos: Nasa / Communications Earth & Environment

Um estudo recente aponta que uma rocha identificada em Marte pode representar uma evidência de que o planeta já teve um clima mais úmido no passado. A descoberta reforça hipóteses antigas sobre a presença prolongada de água no planeta vermelho e ajuda a reconstruir as condições ambientais que existiam há bilhões de anos.

Há décadas, cientistas buscam compreender a evolução climática de Marte para entender se o planeta já ofereceu condições favoráveis à vida. Nesse contexto, achados anteriores de regiões que abrigaram água líquida já indicavam um passado menos árido. Agora, a identificação dessa rocha incomum surge como mais um elemento que fortalece esse cenário.

Rochas e clima tropical

De acordo com informações repercutidas pela CNN Brasil, o estudo publicado na revista científica Communications Earth & Environment, analisou rochas encontradas na cratera de Jezero, uma área de Marte. Região é conhecida por apresentar sinais de um antigo lago formado há quase 4 bilhões de anos.

Após uma análise mais detalhada, os pesquisadores sugerem que o material pode ser caulinita, um mineral rico em argila e alumínio. Para chegar a essa conclusão, os cientistas compararam os dados obtidos em Marte com amostras de caulinita encontradas na Terra, observando semelhanças significativas entre os materiais.

Os fragmentos foram identificados durante uma passagem do rover Perseverance, da Nasa, e apareceram espalhados por diferentes pontos da cratera de Jezero. Segundo o principal autor do estudo, Adrian Broz, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Purdue, a presença desse mineral em um ambiente atualmente frio, seco e sem água líquida na superfície indica que Marte já teve volumes de água muito maiores do que os observados hoje.

A imagem mostra um dos alvos analisados no estudo, registrado pela Mastcam-Z do rover Perseverance na cratera de Jezero, em Marte / Créditos: Nasa / Communications Earth & Environment

Ainda assim, os cientistas ressaltam que a descoberta não significa, necessariamente, que Marte tenha apresentado um clima idêntico ao das regiões tropicais da Terra. No entanto, a presença da caulinita reforça a hipótese de que o planeta passou por períodos significativamente mais úmidos em sua história.

Além disso, o achado pode contribuir para o debate sobre a possibilidade de vida no planeta, uma vez que a água é considerada essencial para o desenvolvimento de formas de vida semelhantes às conhecidas na Terra.

Caulinita em Marte e na Terra

Para confirmar a natureza da rocha, os autores também compararam os dados do rover com amostras de caulinita coletadas nos Estados Unidos e na África do Sul. Na Terra, esse tipo de mineral costuma se formar ao longo de milhões de anos em regiões de clima tropical, caracterizadas por alta umidade e chuvas frequentes.

Segundo a cientista planetária Briony Horgan, coautora do estudo e também da Universidade Purdue, enquanto o rover não alcança grandes afloramentos desse tipo de rocha, os pequenos fragmentos encontrados representam a principal evidência disponível. Em comunicado oficial, ela destacou que a caulinita é extremamente difícil de se formar.

De acordo com Horgan, a criação desse mineral exige uma quantidade expressiva de água, o que pode indicar que Marte manteve condições úmidas por longos períodos há bilhões de anos.

Ainda assim, como as amostras não podem ser analisadas diretamente na Terra e grandes formações desse tipo ainda não foram alcançadas, os pesquisadores afirmam que novas análises serão necessárias para confirmar definitivamente a presença de caulinita.