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Relíquia militar da Segunda Guerra é descoberta em floresta na Polônia

Estandarte militar polonês foi enterrado durante invasão alemã na Polônia para não ser roubado pelos nazistas; agora, após mais de 80 anos, ele foi redescoberto

Estandarte militar desenterrado em floresta na Polônia / Crédito: Divulgação/Fort Monuments Protection Group

Recentemente, um importante fragmento da história militar polonesa foi redescoberto nas florestas que cercam Starachowice, no sudeste da Polônia. A descoberta ocorreu de forma inesperada quando um grupo de detectoristas encontrou um estandarte militar que estava enterrado desde a invasão alemã de 1939, um marco significativo que remete aos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial e ao colapso do Exército Polonês diante do avanço nazista.

A equipe, pertencente ao Grupo de Proteção de Monumentos do Forte, identificou o estandarte como sendo do 12º Regimento de Artilharia Leve, vinculado à 12ª Divisão de Infantaria de Tarnopol. Junto ao estandarte foram encontrados um cinto de couro e fragmentos de uma faixa cerimonial com a inscrição “12º PAL”, repercute a Revista Galileu.

Vale mencionar que as águias presentes nos estandartes militares da Polônia são inspiradas no brasão nacional, simbolizando os ideais de “Honra e Pátria”. O emblema tradicional exibe uma águia branca adornada com bico, garras e coroa dourados, tornando-se um dos símbolos mais emblemáticos da identidade nacional polonesa.

História da relíquia

A origem do 12º Regimento remonta a 1919, quando foi estabelecido na França como parte do chamado Exército Azul, que reuniu poloneses lutando ao lado das forças aliadas na Primeira Guerra Mundial. Após seu retorno à Polônia, a unidade foi reorganizada e participou ativamente da Guerra Polaco-Soviética (1919-1921).

No contexto da invasão alemã em setembro de 1939, o regimento fazia parte do grupo sul do Exército Prussiano. Enfrentando as forças nazistas em uma situação cercada, a unidade foi desmantelada durante a Batalha de Radom, um dos momentos críticos que marcou a rápida derrota das forças polonesas naquele conflito inicial.

Naquele período, o regimento era comandado pelo tenente-coronel Józef Kuberski, natural de Tarnopol. Meses após os eventos de setembro, ele seria uma das vítimas do Massacre de Katyn, onde milhares de oficiais e membros da elite polonesa foram executados pela polícia secreta soviética entre abril e maio de 1940.

Historiadores acreditam que a relíquia militar tenha sido enterrada deliberadamente para evitar sua captura e subsequente exibição como troféu pelas tropas invasoras. Agora, mais de 80 depois, este objeto ressurgiu como uma rara conexão física com os primórdios da Segunda Guerra Mundial e com o trágico destino das forças armadas polonesas.

Os itens recuperados estão sendo encaminhados para processos de conservação e serão oficialmente registrados como monumentos históricos. Ao mesmo tempo, o Grupo de Proteção de Monumentos do Forte continua suas atividades em colaboração com museus locais, ampliando suas investigações em busca de outros vestígios do patrimônio histórico polonês escondidos nas florestas da região de Starachowice.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.