Uma pesquisa da Campanha de Reparação apontou qual a posição dos cidadãos do Reino Unido frente ao histórico de escravidão e colonialismo
Uma pesquisa recente revelou que seis em cada dez pessoas do Reino Unido acreditam que os países do Caribe e aqueles que descendem de escravizados deveriam receber um pedido formal de desculpas da família real, do governo ou de empresas que lucraram com a exploração.
O levantamento, publicado no Dia Internacional da ONU em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos, será apresentado aos ministros no parlamento britânico nesta segunda-feira, 25, pela Campanha de Reparação, uma organização que luta pelo reconhecimento formal dos horrores históricos no Caribe.
Conforme repercutido pelo jornal The Guardian, o estudo realizado em 2016 com representantes da população do Reino Unido aponta que o apoio a um pedido formal de desculpas é maior entre os jovens e os negros.
Entre os que apoiaram a ideia, 56% afirmaram que as desculpas deveriam vir do governo, 51% atribuiu a responsabilidade a organizações e empresas que historicamente lucraram com o regime e 38% disseram que um pedido de desculpas deveria vir da família real. Além disso, 19% acredita que todos os grupos mencionados acima deveriam se retratar.
É extremamente encorajador ver a escala do apoio no Reino Unido a um pedido de desculpas. O governo e a monarquia já não podem dar-se ao luxo de ignorar os apelos à justiça reparatória. A extraordinária riqueza do Reino Unido foi gerada a partir do trabalho livre, das terras livres e dos rendimentos altamente lucrativos da escravatura.”, afirmou Denis O’Brien, empresário irlandês e fundador da Repair Campaign, ao The Guardian.
O levantamento também concluiu que 25% dos entrevistados acredita que as nações caribenhas deveriam receber uma compensação financeira, como reparação pelo histórico da escravidão e do colonialismo.
Estes resultados nos são a indicação mais clara da posição progressista e fundamentada que muitos dos nossos concidadãos têm sobre a questão da justiça reparatória.”, disse o deputado trabalhista, Clive Lewis, ao The Guardian.