Rede criminosa maçônica enfrenta julgamento por assassinato em Paris
A Justiça da França inicia o julgamento de vinte e dois réus, incluindo policiais, por tentativa de assassinato e crimes de uma loja maçônica

Vinte e duas pessoas começaram a ser julgadas na França nesta segunda-feira, sob a acusação de integrarem uma rede criminosa comandada por uma loja maçônica.
Inicialmente, o grupo responde por crimes graves, como assassinato, tentativa de homicídio, agressão qualificada e conspiração. Consequentemente, sete réus, incluindo ex-agentes de inteligência, policiais e empresários, enfrentam a possibilidade de prisão perpétua.
A origem das investigações
Toda a investigação teve início em julho de 2020, logo após uma tentativa frustrada de assassinato por encomenda. Naquela ocasião, dois militares paraquedistas foram detidos armados perto da residência da coach de negócios Marie-Hélène Dini. Surpreendentemente, eles confessaram aos investigadores que acreditavam estar cumprindo ordens oficiais do Estado francês.
De acordo com informações do jornal The Guardian, foi a partir desse episódio que a polícia traçou uma forte ligação até Jean-Luc Bagur, consultor rival de Dini e “venerável mestre” da loja maçônica Athanor. Segunda as autoridades, Bagur pagou 70 mil euros para o empresário Frédéric Vaglio providenciar a eliminação de sua concorrente.
Avanço do esquadrão da morte
Dentro do esquema, Vaglio atuava como intermediário direto para um esquadrão da morte chefiado por Daniel Beaulieu, ex-oficial de inteligência da DGSI. Além disso, Sébastien Leroy, braço direito de Beaulieu, confessou sob custódia que ele e seus comparsas executaram a maioria dos crimes violentos exigidos pela máfia de Athanor.
Com o passar do tempo, as pequenas vinganças evoluíram para casos de espionagem industrial e homicídios brutais. Por exemplo, em 2018, o piloto de corridas Laurent Pasquali foi assassinado e deixado em uma floresta devido a uma dívida com associados de Vaglio. Em 2019, uma associada de Bagur teve o carro incendiado após descobrir indícios de fraudes na empresa.
Impacto e andamento do julgamento
Para o advogado Jean-William Vézinet, representante de Dini, o aspecto mais assustador do caso é o envolvimento de figuras como policiais e ex-agentes, que deveriam agir pelo bem da sociedade. Em contrapartida, Leroy insiste que foi totalmente manipulado por Beaulieu e que acreditava estar agindo em nome do governo.
Atualmente, o tribunal parisiense prevê que as audiências durem pelo menos três meses para avaliar todas as provas. Contudo, os depoimentos de Beaulieu permanecem incertos, visto que ele sofreu graves danos cognitivos após uma tentativa de suicídio na prisão.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes