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‘Rainha da Cetamina’ será sentenciada pela morte de Matthew Perry

Conhecida como “Rainha da Cetamina”, Jasveen Sangha pode pegar até 15 anos por vender droga ligada à morte de Matthew Perry

Jasveen Sangha e o ator Matthew Perry
Jasveen Sangha e o ator Matthew Perry - Divulgação/Instagram/Getty Images

Jasveen Sangha, conhecida como a “Rainha da Cetamina”, deve ser sentenciada nesta quarta-feira, 8, após se declarar culpada por vender a dose da droga associada à morte do ator Matthew Perry. O caso, que envolve uma rede de fornecimento ilegal de substâncias controladas, levou à acusação de cinco pessoas e reacendeu discussões sobre o acesso clandestino a medicamentos de uso restrito.

Sangha é a quinta ré a firmar um acordo judicial no processo. Promotores federais defendem que ela receba uma pena de 15 anos de prisão, destacando o que classificam como um padrão amplo de atividades ilegais e uma postura indiferente diante das mortes relacionadas às substâncias que distribuía. Segundo a acusação, sua atuação não se limitou ao caso de Perry, envolvendo também a venda de drogas para outras pessoas, incluindo Cody McLaury, que morreu em 2019 após adquirir cetamina.

Matthew Perry morreu em outubro de 2023, aos 54 anos. As autoridades determinaram que a principal causa da morte foi a cetamina, um anestésico utilizado em ambientes médicos e que, nos últimos anos, também tem sido empregado em tratamentos controlados para depressão. O ator, que enfrentava problemas com dependência química, havia utilizado a substância legalmente sob supervisão médica. No entanto, após ter o acesso negado por seu médico nas quantidades desejadas, passou a buscá-la por meios ilícitos.

De acordo com as investigações, Sangha forneceu cerca de 50 frascos de cetamina ao ator antes de sua morte. O esquema também envolvia Erik Fleming, apontado como intermediário, além de dois médicos, Salvador Plasencia e Mark Chavez, e o assistente pessoal de Perry, Kenneth Iwamasa, que aplicou a droga no ator pouco antes de sua morte. Embora os médicos não tenham fornecido diretamente a dose fatal, um juiz afirmou que eles contribuíram para o desfecho ao “alimentar” o vício do ator.

Em seu acordo de confissão, Sangha admitiu que distribuía drogas como cetamina e metanfetamina a partir de sua residência em North Hollywood desde 2019. Mesmo após tomar conhecimento de mortes associadas às substâncias que vendia, ela continuou com a atividade, segundo os promotores. Para a acusação, esse comportamento evidencia desprezo pela vida humana e reforça a necessidade de uma pena significativa.

“As ações da ré demonstram uma frieza e um desprezo pela vida. Ela priorizou o lucro em detrimento das pessoas, e suas ações causaram imensa dor às famílias e entes queridos das vítimas”, afirmou a promotoria em documentos judiciais.

Os promotores também ressaltaram o histórico pessoal de Sangha, que, segundo eles, teve acesso a educação de qualidade e optou pelo tráfico de drogas motivada por “ganância, glamour e influência”. Esses elementos foram utilizados para sustentar o pedido de uma sentença mais dura.

Defesa

A defesa, por outro lado, argumenta que Sangha reconheceu sua responsabilidade e tem demonstrado esforços concretos de reabilitação. Representada pelos advogados Mark Geragos e Alexandra Kazarian, ela não possui antecedentes criminais e, segundo seus representantes, participou ativamente de programas de recuperação enquanto esteve detida, repercute o The Guardian.

“A reabilitação demonstrada pela Sra. Sangha, incluindo dois anos de sobriedade contínua, participação constante em programas de recuperação e forte apoio da comunidade, reflete um compromisso significativo com a mudança e um baixo risco de reincidência”, escreveu a defesa em documentos apresentados ao tribunal.

Apesar do acordo de confissão, a decisão final sobre a pena cabe ao juiz responsável pelo caso. A legislação prevê que Sangha pode ser condenada a até 65 anos de prisão, dependendo da avaliação das circunstâncias e da gravidade dos crimes. A sentença deve marcar um novo capítulo no caso, que expôs os riscos do uso indevido de substâncias controladas e a atuação de redes ilegais no fornecimento dessas drogas.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.