Parasita nunca antes visto em seres humanos é motivo de infecção pulmonar em mulher
Paciente apresentava sintomas e lesões pulmonares há mais de um ano, mas os médicos não conseguiam descobrir o motivo

Uma mulher foi internada após sentir dores abdominais e diarreia durante três semanas. Além desses sintomas ela apresentava tosse seca persistente e sudorese noturna.
Os médicos realizaram uma tomografia computadorizada de seus pulmões. No resultado, foram constatadas áreas opacas, onde o tecido havia engrossado, causado por uma inflamação ou infecção que fez com que seu pulmão se enchesse de fluidos, pus ou um acúmulo de glóbulos brancos. Seu fígado e seu baço também apresentavam lesões e áreas de tecido danificadas.
Para chegar em um possível diagnóstico, os médicos pegaram amostras do fluido presente nos pulmões da paciente e encontraram uma porcentagem alta de eosinófilos, um tipo de glóbulo branco que combate infecções. Ela foi diagnosticada com uma doença pulmonar rara chamada pneumonia eosinofílica. Prescreveram uma dose diária de prednisolona, que aliviou seus sintomas, mas a causa da infecção pulmonar seguiu sendo desconhecida.
Após três semanas, a paciente, que ainda estava tomando o medicamento prescrito, voltou ao hospital com tosse, febre e as lesões em seus órgãos não haviam cicatrizado. Outros testes foram feitos, mas nenhum conseguiu identificar a causa de seu desconforto respiratório, sendo que as culturas de amostras de tecido não apresentaram nenhum sinal de infecção bacteriana ou fúngica.
O exame de sangue detectou que o sistema imunológico da mulher não estava produzindo anticorpos para vários vermes parasitas, como flukes de sangue (Schistosoma) ou flukes hepáticos (Fasciola). Foram feitas amostras fecais e nenhum desses parasitas foi encontrado.
A indicação foi que ela continuasse tomando o prednisolona e também prescreveram ivermectina após a paciente relatar que teria viajado para países onde parasitas como esses são comuns. Os sintomas respiratórios não desapareceram e pioraram quando tentou reduzir a dosagem do prednisolona e ela permaneceu da mesma forma por meses.
Cerca de um ano após sua primeira visita ao hospital, a paciente começou a desenvolver depressão e teve episódios de esquecimento. Ela foi submetida a uma ressonância magnética do cérebro e os médicos detectaram uma lesão no lobo frontal direito. Para examinar a área danificada foi necessário fazer uma biópsia aberta. Após isso, eles descobriram “uma estrutura semelhante a uma corda” dentro da lesão, que foi identificado como um verme parasita vivo chamado helminto, de acordo com o relatório do caso dela.
O verme era vermelho brilhante e media cerca de 80 milímetros de comprimento e 1 milímetro de espessura, informou a Live Science.
Os médicos identificaram a larva helminto como uma larva de terceiro estágio de Ophidascaris robertsi, um nematóide parasita nativo da Austrália. Esses verme adultos se reproduzem dentro de cobras pítons de carpete, mas podem infectar outros animais durante o estágio larval.
Esse tipo de cobra eram bem comuns perto da casa da mulher, apesar dela ter relatado nunca ter tido contato direto com esses animais. O que pode ter sido a porta de entrada para ser infectada são as verduras colhidas para cozinhar, é bem provável que alguma dessas plantas estavam contaminadas por ovos de O. robertsi e que depois dos ovos eclodirem, as larvas migraram para seus órgão, sugerem os autores do relato.
Nenhuma infecção humana por esse parasita jamais foi documentada, nem a larva do parasita foi encontrada no cérebro de seu hospedeiro.
Tratamento
Após a retirada do helminto, os médicos deram ivermectina por dias, combinado com albendazol por quatro semanas. O albendazol é absolvido pelo sistema nervoso central mais rápido que a ivermectina e é uma droga de tratamento de infecções por helminto, para matar qualquer parasita presente nos órgãos. Esses medicamentos já foram utilizados anteriormente para tratar nematóides em humanos e cobras. Para prevenir uma infecção adicional, a paciente também tomou corticosteróide dexametasona por 10 semanas.
As lesões em seus órgãos sumiram. Sua contagem de glóbulos brancos estava normal e seus sintomas neuropsiquiátricos melhoram após seis meses de cirurgia e três meses do final do ciclo de dexametasona.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes