Palestino que participou de documentário vencedor do Oscar é morto
O ativista palestino Odeh Hadalin, que participou do documentário 'Sem Chão', sobre a Cisjordânia, foi morto por colono israelense

Nesta segunda-feira, 28, o ativista palestino Odeh Hadalin foi assassinado por um colono israelense na Cisjordânia. A informação foi divulgada por Yuval Abraham, um dos diretores do documentário ‘Sem Chão’, que venceu o Oscar de Melhor Documentário, ao narrar a destruição das casas dos moradores de Masafer Yatta, na Cisjordânia, pelas forças israelenses na região — e do qual Hadalin participou.
“Um colono israelense acaba de atirar nos pulmões de Odeh Hadalin, um ativista notável que nos ajudou a filmar ‘Sem Chão’ em Masafer Yatta. Os moradores identificaram Yinon Levi, sancionado pela União Europeia e pelos EUA, como o atirador. Este é ele no vídeo atirando como um louco”, escreveu Abraham em publicação no X. Pouco depois, porém, ele anunciou: “Odeh acabou de morrer. Assassinado”.
Odeh just died. Murdered. https://t.co/rRWqSa48iN
— Yuval Abraham יובל אברהם (@yuval_abraham) July 28, 2025
Segundo o deputado israelense Ofer Cassif, opositor de Netanyahu, Odeh Hadalin era pai de três filhos, professor, e um conhecido ativista onde vivia, na vila de Umm al-Kheir, perto de Hebron. Hoje, vale mencionar, existem mais de 140 assentamentos israelenses pela Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, abrigando cerca de 450 mil israelense — presença esta que é condenada pela comunidade internacional.
Embora a Cisjordânia seja considerado um território palestino, atualmente Israel detém o controle da região, e palestinos que ainda habitam o território estão sujeitos à lei militar israelense.
Outro ataque
Conforme repercute o g1, o documentário ‘Sem Chão‘ possui dois diretores palestinos, Hamdan Ballal e Basel Adra, e dois diretores israelenses, Yuval Abraham e Rachel Szor. E essa não é a primeira vez que figuras relacionadas à produção são vítimas da violência de colonos.
Anteriormente, em março deste ano, o codiretor Hamdan Ballal foi linchado por colonos israelenses na Cisjordânia, e detido por militares das Forças de Defesa de Israel que atuam na região. Yuval Abraham informou na época que Ballal tinha ferimentos na cabeça e na barriga, e que estava sangrando quando foi colocado em uma ambulância por militares israelenses, antes de ser levado a um local desconhecido.
“Colonos invadiram casas, atiraram pedras, quebraram janelas e veículos e agrediram violentamente moradores e ativistas solidários. Várias pessoas ficaram feridas”, escreveu em publicação no X o ativista palestino Ihab Hassan, que testemunhou o ataque.
Após o linchamento, Ballal foi algemado e vendado a noite toda em uma base do Exército, e dois soldados o espancaram no chão, segundo sua advogada, Leah Tsemel. Felizmente, o cineasta palestino foi liberado logo no dia seguinte. Segundo um prefeito local, a agressão começou após colonos judeus tentarem roubar ovelhas de casas palestinas.