Paleontólogo diz que pterossauro do Brasil é na verdade ‘peixe vomitado’
Conforme o professor, David Unwin, o pterossauro do Brasil é uma confusão comum na ciência e deve ser revisto imediatamente. Entenda:

Certamente os pterossauros agrupam um dos grupos mais curiosos de seres vivos que já pisaram na Terra. No entanto, a busca por esse animal sempre foi um problema para os paleontólogos.
Devido a variação gigantesca entre o tamanho dos espécimes, habitats, alimentação e etc. frequentemente outras espécies são relacionadas erroneamente à esses animais. Por exemplo, o réptil comprido, Tanystropheus, por muito tempo foi considerado um pterossauro erroneamente.
De todo modo, o grupo que viveu 150 milhões de anos ao lado dos dinossauros intriga os pesquisadores até hoje. Porém, um recente entusiasmo por parte de paleontólogos brasileiros pode ter gerado uma confusão na identificação.
Conforme David Unwin, professor de Paleobiologia da Escola de Patrimônio e Cultura da Universidade de Leicester, erros assim são comuns e devem ser revistos o quanto antes. Entenda:
O pterossauro do Brasil e a análise
Em novembro de 2025, paleontólogos brasileiros, liderados por Rodrigo Pêgas, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), descreveram um fóssil como um novo pterossauro do Brasil. O fóssil foi batizado de Bakiribu waridza e foi encontrtado em rochas de 110 milhões de anos do Araripe, no Ceará.
Conforme o estudo brasileiro, havia junto na rocha, dois pterossauros e pequenos restos de peixes. Desse modo, logo analisaram que os fósseis estavam mortos no vômito fossilizado de um dinossauro conhecido como regurgitalita, enorme predador tetrápode da época.

A descoberta atraiu muitos interessados que até mesmo uma página na Wikipédia criaram para o pterossauro do Brasil. Porém, um grupo de pesquisadores estrangeiros, ao analisar as fotografias do fóssil com a coleção da universidade, perceberam que haviam algumas incongruências.
Primeiramente, os “dentes” não se estendiam igualmente dos dois lados da mandíbula, como ocorre nos espécimes dentados. Ainda, os dentes também não possuíam raiz, outra característica fundamental.
Entretanto, foi a análise que os fragmentos ósseos associados às supostas mandíbulas não correspondiam a nenhum elemento craniano de pterossauros, dentre outras características, que fez com que os cientistas dessem um passo atrás na análise.
Erros na paleontologia
Logo depois de analisar, David Martill, envolvido na revisão, se lembrou de um episódio de 1939, em que Ferdinand Broili, paleontólogo de Munique, descreveu um novo o Belonochasma, com base no que pareciam ser restos de mandíbulas com centenas de dentes longos e finos.
No entanto, décadas depois, Franz Mayr, fundador do Museu Jura em Eichstätt, na Alemanha, reconheceu a natureza desses fósseis. Os “dentes” eram, na verdade, filamentos branquiais. Outras partes do corpo mostraram acertadamente que o Belonochasma era um peixe.
Desse modo, ao comparar o Belonochasma e o Bakiribu, os cientistas logo notaram a semelhança. Os envolvidos na pesquisa disseram:
Conseguimos identificar os supostos dentes do Bakiribu como filamentos de guelras e os elementos ósseos associados como branquiais (estruturas que sustentam as brânquias). Assim como o Belonochasma, o fóssil do Bakiribu era, na verdade, um arco branquial colapsado de um peixe de grande porte, preservado ao lado de dois peixes menores.”
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes