Palácio de Buckingham anuncia que rei Charles fará visita de Estado aos EUA
Viagem do rei Charles aos EUA ocorrerá em abril, em meio a tensões entre Donald Trump e o premiê britânico Keir Starmer, e busca reforçar relações

O Palácio de Buckingham confirmou nesta terça-feira, 31, que o rei Charles realizará uma visita de Estado aos Estados Unidos no final de abril, em uma agenda considerada estratégica pelo governo britânico. A viagem ocorre em meio a tensões diplomáticas entre o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, agravadas por divergências relacionadas à guerra com o Irã.
De acordo com o comunicado oficial, Charles viajará acompanhado da rainha Camilla em uma visita planejada há anos, que também marcará os 250 anos da independência americana em relação ao domínio britânico. Após a passagem pelos Estados Unidos, o casal deve seguir para as Bermudas. “O programa de Suas Majestades celebrará as conexões históricas e a relação bilateral moderna entre o Reino Unido e os Estados Unidos”, afirmou o Palácio de Buckingham, destacando que a viagem atende a uma recomendação do governo britânico.
Esta será a primeira visita de Estado de um monarca britânico aos EUA desde 2007, quando a rainha Elizabeth realizou sua quarta viagem oficial ao país. A expectativa é que a presença do rei contribua para amenizar o desgaste recente nas relações entre Washington e Londres.
Relações tensas
O relacionamento entre Trump e Starmer sofreu abalos diante da postura cautelosa do premiê britânico em relação ao conflito com o Irã. O líder do Reino Unido resistiu a um envolvimento mais direto e não autorizou o uso de bases britânicas para ataques iniciais, o que gerou críticas públicas do presidente americano. Trump chegou a afirmar que Starmer “não era Winston Churchill” e que havia prejudicado a tradicional aliança entre os dois países, além de ironizar a oferta britânica de ampliar sua presença militar na região.
Apesar disso, o governo britânico tem buscado preservar o diálogo. Starmer evitou confrontos diretos com Trump e declarou que a relação entre ambos segue positiva. Nesse contexto, a monarquia tem sido utilizada como instrumento de diplomacia, com o objetivo de suavizar tensões e manter a proximidade entre as nações.
Desde o retorno de Trump ao poder, o primeiro-ministro tem recorrido ao chamado “poder brando” da família real. Em setembro do ano passado, Charles recebeu o presidente americano em uma segunda visita de Estado ao Reino Unido, incluindo eventos como passeio de carruagem e banquete no Castelo de Windsor. Na ocasião, Trump elogiou os laços entre os países, classificando-os como “insubstituível e inquebrável”.
Agora, a nova visita coloca o rei em uma posição delicada. Além de lidar com um presidente considerado impopular entre os britânicos, Charles poderá enfrentar questionamentos sobre divergências em temas como mudanças climáticas, área na qual possui atuação ativa. Também há a possibilidade de surgirem perguntas relacionadas ao príncipe Andrew, investigado por suposta má conduta ligada a seus vínculos com Jeffrey Epstein, repercute a CNN Brasil.
Vale mencionar ainda que a viagem acontece sob críticas internas. Ed Davey, líder dos Liberais Democratas, defendeu o cancelamento da visita, argumentando que Trump não deveria receber honras diplomáticas após declarações consideradas ofensivas ao Reino Unido. Ainda assim, o presidente americano minimizou os impactos da tensão recente e afirmou que o encontro não será prejudicado, reforçando sua relação pessoal com o monarca. “Ele é meu amigo”, disse Trump sobre Charles. “Ele é um grande cavalheiro.”