O motivo pelo qual a França impediu que retrato avaliado em US$ 3,5 milhões fosse leiloado
Obra atribuída ao artista alemão Hans Baldung Grien foi impedida de ir a leilão em Paris 48 horas antes do evento; entenda o motivo

Um quadro atribuído ao artista alemão Hans Baldung Grien foi recentemente colocado à venda na França, mas acabou retirado pouco depois. A obra renascentista deveria para integrar um evento promovido pela Beaussant Lefèvre & Associés e pela Cabinet de Bayser, sediadas em Paris, porém foi impedida de ir a leilão 48 horas antes.
O motivo foi uma decisão do governo francês, que em 23 de março — dois dias após a data prevista para o leilão — classificou a obra como Tesouro Nacional. Com isso, sua exportação fica legalmente proibida por, no mínimo, 30 meses.
De acordo com o site Artnet, o desenho executado com técnica de ponta de prata e que retrata Susanna Pfeffering, tinha estimativa de alcançar cerca de US$ 3,5 milhões (R$ 18,4 milhões). No fim, a Beaussant Lefèvre & Associés informou o adiamento da data do leilão.
Do tamanho de um cartão-postal, o retrato datado de 1517 só foi redescoberto em 2025, quando o leiloeiro Arthur De Moras realizava a catalogação da coleção de arte da família Pfeffering. Durante anos, a obra foi atribuída a outro artista renascentista, até que uma análise detalhada conduzida por curadores e especialistas confirmou tratar-se de um trabalho de Baldung.
Discípulo de Albrecht Dürer, Baldung ficou conhecido por suas representações sombrias, com elementos eróticos e sobrenaturais, especialmente em cenas envolvendo bruxas. O desenho redescoberto, porém, destoa desse estilo: apresenta o busto de Susanna Pfeffering, uma mulher rica de Estrasburgo.
O alto valor estimado também se explica pela raridade da obra. Segundo informações do portal Galileu, ao longo da vida, Baldung produziu cerca de 250 desenhos, dos quais apenas 12 foram feitos com ponta de prata. Esses trabalhos estão hoje em coleções públicas, nenhuma delas na França.
Venda suspensa
Em comunicado, a Beaussant Lefèvre & Associés afirmou que suspendeu a venda “apesar do forte interesse de diversas instituições e colecionadores internacionais”. A casa havia solicitado a licença de exportação em 25 de novembro de 2025, e a Comissão Consultiva Francesa sobre Tesouros Nacionais levou quase quatro meses para deliberar.
Com o bloqueio de exportação em vigor, abre-se agora um prazo para que compradores franceses apresentem propostas, com o objetivo de manter a obra no país. Segundo o governo francês, o retrato é de “grande interesse para o patrimônio nacional, do ponto de vista histórico e artístico”. A estratégia, de acordo com Arthur De Moras, é negociar uma venda privada para um comprador francês.