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Novo estudo contesta ideia de ‘sexta extinção em massa’

Pesquisadores dizem que perdas recentes são reais e preocupantes, mas não chegam aos níveis de eventos catastróficos do passado geológico

Representação artística do meteoro que exterminou os dinossauros - Divulgação/Roger Harris

Um novo estudo publicado na revista PLOS Biology na última quinta-feira, 4, questiona a tese de que a Terra já estaria vivendo uma “sexta extinção em massa”, processo comparável ao que eliminou os dinossauros há 66 milhões de anos.

A análise, conduzida por pesquisadores da Universidade do Arizona e de Harvard, concluiu que, embora a perda de biodiversidade seja grave, as taxas atuais de desaparecimento de gêneros de plantas e animais estão longe do que caracteriza um evento de extinção em massa.

Segundo a pesquisa, apenas 0,45% dos gêneros avaliados foram extintos nos últimos 500 anos — um total de 102 grupos, incluindo aves como o dodô, mamíferos como o peixe-boi de Steller e tartarugas-gigantes do gênero Cylindraspis. O trabalho também aponta que a maioria dessas extinções ocorreu em habitats insulares, mais vulneráveis a espécies invasoras introduzidas por humanos.

Análise

De acordo com o professor John Wiens, autor principal do estudo, cada extinção continua sendo “uma tragédia que nunca deveria ter acontecido”. No entanto, a análise sugere que as taxas de desaparecimento de gêneros desaceleraram nos últimos 100 anos, em parte devido ao fortalecimento de ações de conservação, especialmente para aves e mamíferos.

O levantamento utilizou dados de 163 mil espécies catalogadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e, segundo os autores, oferece uma visão mais ampla da história evolutiva ao focar em gêneros, e não apenas em espécies isoladas.

Ainda assim, segundo a CNN, os cientistas reconhecem limitações: insetos, plantas e fungos permanecem pouco estudados, o que pode significar que algumas perdas ainda estejam subestimadas.

A pesquisa contrasta com outro estudo de 2023, que argumentava que o planeta já estaria em meio a uma sexta extinção em massa. Especialistas que não participaram do novo trabalho ressaltam que, embora a comparação com eventos geológicos passados seja controversa, o declínio da biodiversidade atual é inegável e ameaça diretamente o equilíbrio dos ecossistemas e o bem-estar humano.

“É importante manter a esperança e agir”, afirma a historiadora da ciência Sadiah Qureshi, da Universidade de Manchester. “A perda de espécies é real, mas não deve ser vista como inevitável”.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli