Novo documentário inclui depoimentos inéditos sobre o ET de Varginha
Nova produção documental 'O Mistério de Varginha' inclui depoimentos inéditos de mulheres que afirmaram ter visto o ET de Varginha em 1996

Um novo documentário produzido pela Globo trouxe à tona um vídeo inédito contendo depoimentos de mulheres que alegam ter presenciado a aparição do conhecido “ET de Varginha“. As gravações, realizadas em janeiro de 1996, logo após o suposto evento, mostram Valquíria, Liliane e Kátia descrevendo a criatura com detalhes que tornaram o caso um marco na ufologia brasileira.
Os registros, feitos pelo ufólogo Ubirajara Rodrigues, foram exibidos pela primeira vez no novo projeto da emissora. Em um dos relatos, uma das testemunhas descreve: “os olhos eram vermelhos, bem arregalados. Os dedos eram compridos. Não sei se era chifre, mas tinham três calombos na cabeça”.
Outra jovem complementa: “passou um negócio no corpo que brilhava. Parece que passou um óleo”. Os criadores da série ‘O Mistério de Varginha‘ ressaltam que os depoimentos foram capturados apenas três dias após a ocorrência, o que, segundo eles, aumenta a credibilidade emocional dos relatos: “todas elas falam a mesma coisa, com muita honestidade e muita emoção”.
A estreia da série está prevista para os dias 6, 7 e 8 de janeiro, imediatamente após a exibição de ‘O Auto da Compadecida 2’, repercute o g1.
O ET de Varginha
A história do ET de Varginha ganhou destaque nacional em 1996 quando foi veiculada no programa Fantástico. Na ocasião, um retrato falado da criatura, baseado nas descrições das jovens, elevou o caso a um fenômeno midiático. O debate sobre o que poderia ter aparecido em Minas Gerais dividiu opiniões: alguns acreditavam ser um animal, outros defendiam a hipótese de um extraterrestre ou até mesmo explicações sobrenaturais.
Um morador local comentou na reportagem da época: “animal não pode ser, né? Monstro também não pode ser”. Outro acrescentou: “eles falam que parece um ET”. A repercussão do incidente deixou marcas profundas nos anos 90 e gerou uma onda de interesse coletivo sem precedentes. Para Paulo Gonçalves, diretor e criador da série documental, a influência foi notável.
Gonçalves relembra: “aquilo impactou toda a minha geração. Teve uma histeria coletiva no país. Todo mundo olhando para o céu, tentando encontrar ET, nave. Quando esse assunto foi veiculado no Fantástico, foi uma bomba”.
Luiz Petry, responsável pelas reportagens exibidas em 1996, recorda que a investigação começou imediatamente após o ocorrido. “Ouvi a história e, na mesma semana, a gente foi pra Varginha“, diz ele. “Virou assunto popular no Brasil. As pessoas comentavam: ‘É verdade ou não é verdade?” O rosto do suposto extraterrestre rapidamente se tornou tema popular entre os brasileiros, gerando discussões sobre sua veracidade.
Trinta anos depois do incidente, pessoas que eram jovens naquela época se reuniram para relembrar as reportagens. As imagens continuam evocando reações intensas; uma mulher relata ter ficado apavorada ao assisti-las pela primeira vez enquanto estava grávida.
Uma participante do grupo revelou ter apenas 14 anos na época e residir no interior do Maranhão. “Eu tinha que ir ao quintal porque o banheiro era do lado de fora. Tomava banho mais cedo, de dia, porque achava que ia ser abduzida”, conta ela. No Ceará, o clima era igualmente tenso: “os pais tinham receio de deixar as crianças saírem. Todo mundo corria pra dentro de casa”.
Euforia ufanista
Na época, relatos de objetos voadores não identificados começaram a surgir em várias partes do Brasil. Moradores afirmavam ter visto luzes estranhas no céu antes mesmo do episódio das três jovens em Varginha. “Eu passei muito tempo olhando para as estrelas, pra ver se encontrava alguma coisa”, compartilha um dos convidados.
Para Ricardo Calil, diretor e roteirista do documentário, o caso transcende o mero entretenimento. “Para a ufologia, esse talvez seja o segundo caso mais importante do mundo, depois de Roswell“, afirma. Calil expressa que, na época, ficou dividido entre tratar o episódio com seriedade ou como piada, mas que hoje vê isso sob uma nova perspectiva.
Ele enfatiza: “não é motivo de piada. As pessoas que dizem ter visto algo são, em geral, muito honestas. A ridicularização foi motivo de sofrimento pra elas e até de vergonha pra cidade”.
A série também apresenta um depoimento exclusivo do neurologista Ítalo Venturelli, que afirma ter mantido um segredo por três décadas. Ele relata ter sido convocado ao principal hospital de Varginha para observar algo incomum: “afastei um pouco e vi que o alien estava ali. Era branco, com o crânio em forma de gota e olhos lilás”, narra.
Paulo Gonçalves considera que o testemunho do médico é um dos pontos mais impactantes da produção: “é um relato muito contundente. É uma pessoa reconhecida na cidade. Por que ele mentiria?”