Nova espécie de ‘rã de vidro’ recebe nome em homenagem a atleta olímpica
Nova espécie de rã de vidro descrita em estudo publicado na revista PLOS One foi descoberta durante expedições no Equador

Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, a equatoriana Neisi Dajomes conquistou a medalha de ouro no levantamento de peso feminino até 76 kg, tornando-se a primeira mulher de seu país a alcançar o topo do pódio. Agora, ela recebeu uma homenagem inusitada: seu nome foi atribuído a uma nova espécie de rã-de-vidro, descrita em estudo publicado nesta quarta-feira, 8, na revista PLOS One.
Segundo informações do portal Galileu, as rãs-de-vidro formam um grupo de anfíbios com cerca de 12 gêneros e 167 espécies, que vivem nas árvores das florestas tropicais da América Central e do Sul. O nome vem da pele translúcida presente em algumas delas, capaz de revelar órgãos internos, como o coração, com grande nitidez.
No caso da espécie recém-descrita, Nymphargus dajomesae, destaca-se a coloração verde uniforme e textura granulada na parte superior do corpo. Já sua região inferior conta com uma membrana branca formada por células que refletem a luz, cobrindo órgãos como coração, esôfago, estômago e rins, enquanto outras membranas permanecem transparentes.
O primeiro exemplar da nova espécie foi encontrado a poucos quilômetros de áreas agrícolas e de mineração. Embora a atividade mineradora já tenha sido associada ao declínio de populações de anfíbios na região, ainda não há confirmação sobre o estado de conservação da nova rã. A descoberta foi liderada por Mylena Masache, da Pontifícia Universidade Católica do Equador, durante expedições realizadas entre 2017 e 2018 na Reserva Natural El Quimi.
No Equador, são conhecidas 21 espécies do gênero Nymphargus, sendo 11 delas endêmicas. Porém a fonte menciona que a classificação desses animais é complexa devido à grande semelhança física entre as espécies e à limitada coleta de dados em diferentes regiões, o que dificulta entender sua distribuição e variações.
Protagonismo feminino
Um dos coautores do estudo, Diego Cisneros, destacou que, além de ser liderada por uma jovem cientista, a descoberta presta homenagem a uma campeã olímpica equatoriana, reforçando o reconhecimento do papel das mulheres na ciência e na sociedade.
Os pesquisadores disseram ter ficado surpresos com a quantidade de espécies inéditas encontradas na região: mais de 85% dos anfíbios observados eram até então desconhecidos. Diante desse cenário, eles descreveram o local como um verdadeiro “mundo perdido” da biodiversidade.
A equipe defende a continuidade das pesquisas sobre a fauna e a flora locais, além da ampliação dos esforços de catalogação de espécies no sudeste do Equador e em áreas próximas à fronteira com o Peru.