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Nova chefe do MI6 seria neta de espião nazista conhecido como ‘açougueiro’

Blaise Metreweli, primeira mulher a comandar o serviço secreto britânico, tem ascendência ligada a informante nazista na Ucrânia

Blaise Metreweli
Blaise Metreweli - Divulgação

Blaise Metreweli, recém-nomeada como a primeira mulher a chefiar o MI6, o Serviço Secreto de Inteligência Britânico, está no centro de uma polêmica após a divulgação de documentos que sugerem que seu avô paterno foi um infame espião nazista apelidado de “o açougueiro”. A revelação veio à tona após investigações do jornal Daily Mail em arquivos militares alemães.

De acordo com os documentos localizados em Freiburg, na Alemanha, o avô de Metreweli era Constantine Dobrowolski, um ucraniano que teria desertado do Exército Vermelho para atuar como principal informante da inteligência nazista na região de Chernihiv, durante a ocupação alemã. Identificado como “Agente 30” pelos nazistas, Dobrowolski é acusado de colaborar em massacres de judeus e de saquear corpos de vítimas do Holocausto.

Nascido em 1906, Constantine teria desenvolvido ódio à União Soviética após a expropriação das terras de sua família durante a Revolução de 1917. Ele teria se unido à máquina de guerra nazista em 1941, recebendo um pagamento modesto pela espionagem. Em cartas recuperadas, ele assinava com “Heil Hitler” e detalhava sua participação em crimes de guerra.

Os soviéticos chegaram a oferecer uma recompensa de 50 mil rublos por sua captura, qualificando-o como “o pior inimigo do povo ucraniano”. O último registro conhecido de Dobrowolski é de agosto de 1943, pouco antes da retomada de Chernihiv pelo Exército Vermelho.

Após sua suposta morte ou desaparecimento, sua esposa e filho fugiram para o Reino Unido, onde reconstruíram a vida. O filho assumiu o sobrenome do padrasto britânico, distanciando-se do passado.

Defesa

Blaise Metreweli, que iniciou sua carreira na inteligência britânica em 1999 após se formar pela Universidade de Cambridge, tem vasta experiência em operações no Oriente Médio e na Europa. Apesar da revelação chocante, o Ministério das Relações Exteriores e da Comunidade Britânica defendeu sua nomeação.

“Blaise Metreweli não conheceu seu avô paterno. Sua ascendência é marcada por conflitos e lacunas, comuns a muitos descendentes de imigrantes do Leste Europeu”, declarou um porta-voz oficial. “Essa herança complexa apenas fortaleceu seu compromisso em proteger o público britânico contra as ameaças modernas de estados hostis”.

Segundo o ‘Independent’, a nomeação de Metreweli permanece válida, mas a revelação levanta questões delicadas sobre identidade, legado histórico e o peso do passado em cargos de alta segurança. Até o momento, a futura chefe do MI6 não se pronunciou publicamente sobre os documentos.