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Naufrágio de 131 anos impede expansão do principal porto de Santa Catarina

Os destroços do navio Pallas, naufragado em 1893 durante a Revolta Armada, se tornaram um obstáculo à expansão do Complexo Portuário de Santa Catarina

Navio Pallas
Navio Pallas - Divulgação/Instituto Cultural Soto

Há mais de um século, os destroços do navio Pallas, naufragado em 1893 durante a Revolta da Armada, permanecem submersos no canal entre Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. Esquecido sob lama e dividido ao meio, o vapor é hoje um obstáculo à expansão do Complexo Portuário de Santa Catarina, o terceiro maior do país em movimentação de contêineres.

Formado por oito terminais — entre eles o Porto Público de Itajaí e o Porto de Navegantes — o complexo representa mais de 13% do mercado nacional e movimentou 14,17 milhões de toneladas em 2024, informou o g1.

A expectativa é que o canal possa receber embarcações de até 400 metros de comprimento, mas isso só será possível após a retirada do Pallas e a dragagem para alcançar maior profundidade.

Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas foi adquirido pelo Brasil e transportava alimentos e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, na Argentina. Em 25 de outubro de 1893, em meio à Revolta Armada — levante da Marinha contra o governo de Floriano Peixoto —, o navio afundou em Itajaí.

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Planta do Navio Pallas / Crédito: Divulgação/Instituto Cultural Soto

 

O pesquisador Jules Soto, do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), explicou ao g1 que o comandante do navio pode ter jogado a embarcação contra a costa como forma de resistência aos revoltosos.

Remoção

Pesquisas sobre o naufrágio começaram nos anos 1990, mas só em 2017 a localização exata foi confirmada, quando uma embarcação colidiu com a carcaça submersa. Mergulhadores verificaram que o Pallas está partido em dois, coberto por lama espessa, em uma área de forte correnteza e baixa visibilidade.

Ele foi coberto com bastante lama. A gente não tem uma ideia aproximadamente do peso dele. Provavelmente, vai ter que ser serrado em várias partes para poder ser removido”, explicou Marcelo Peres, assessor executivo do porto, ao g1.

A remoção do navio está prevista para iniciar em junho, com a obtenção de licenças ambientais e um estudo arqueológico estimado em R$ 390 mil. O custo total da operação pode chegar a R$ 23 milhões. A expectativa é que a embarcação seja retirada até janeiro de 2026. 

Por estar sob responsabilidade da União, o processo também depende de autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ao g1, o órgão federal confirmou que já houve o pedido para a operação, e que aguarda agora a realização de uma Pesquisa de Salvamento Arqueológico para a autorização.