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Nascimento de cachalote é registrado em vídeo pela primeira vez

O primeiro parto assistido de cachalote foi registrado pelos cientistas e estudo revela características inéditas dessas baleias

Baleias cachalotes - Créditos: Franco Banfi/Biblioteca de Imagens da Natureza

O nascimento assistido da cachalote foi registrado pela primeira vez pelo pesquisador da Universidade Carleton, Shane Gero, no dia 8 de julho de 2023. Gero e sua equipe observaram o nascimento do filhote de um grupo de 11 baleias.

Entre elas, a mãe, que foi nomeada de Rounder, já era estudada e conhecida pela equipe por “Unidade A”.

O primeiro registro em vídeo do parto de uma baleia cachalote está no estudo que foi publicado na última quinta-feira, 26, na revista Scientific Reports.

Gero relatou que no dia, ao olhar para água, ele viu um padrão diferente no comportamento das baleias, que sempre estam dispersas em busca de alimento, mas naquela manhã havia 10 cachalote agrupadas ao redor da Rounder, que expeliu um jato de sangue e começou o parto. “Todos os biólogos do barco ficaram eufóricos”.

A movimentação das baleias foi acompanhada por cerca de seis horas com drones aéreos, câmeras e dispositivos subaquáticos. Durante 34 minutos os biólogos assistiram o nascimento do filhote, que logo em seguida, foi colocado para fora da água e o colocaram sobre as costas das fêmeas adultas.

O filhote foi visto novamente em 2024, mas os cientistas ainda não sabem qual é o seu sexo. Esse reencontro sugere que ele pode chegar à vida adulta, visto que ele conseguiu sobreviver ao período crítico da vida marinha: o primeiro ano de vida.

O nascimento de um filhote é extremamente significativo para essa espécie, porque a família desses animais é composta por avós, mães e filhas que vivem juntas a vida inteira. Já os machos, deixam o grupo na adolescência, levando uma vida mais solitária, segundo a revista Galileu.

As baleias nascem de costas, com sua cauda saindo primeiro, para evitar que se afoguem ao sair. Isso mostra a importância da assistência familiar das baleias durante o parto, que é uma iniciativa perigosa.

Gero explicou o motivo do nascimento ser considerado tão raro. “Há apenas alguns casos isolados em que se presenciou o nascimento de uma baleia-cachalote, e muitos deles ocorreram durante a era da caça às baleias”, explicou.

Segundo os cientistas, as imagens revelaram informações e os ajudaram a descobrir a posição social de cada baleia dentro do grupo. Além disso, as relações podem ter ditado o papel de cada animal no parto e nos cuidados.

Allan, uma macho jovem e tio do filhote, estava presente no nascimento, mesmo após meses sozinho antes do acontecimento. Ele tentou se aproximar do recém-nascido, mas as fêmeas não permitiram.

Comunicação

Durante o parto, a equipe registrou sons, conhecidos como codas, emitidos pelas baleias. Esses sons são parte de um alfabeto fonético da própria espécie, mas os pesquisadores ainda não conseguiram decifrar eles.

As codas estão relacionadas a uma identidade cultural para a espécie, e esses barulhos podem ser um fator que fortalece o vínculo social entre esses animais, segundo pesquisas anteriores.

A equipe observou detalhes que sustentam essa hipótese, a mudança nas vocalizações no parto. No momento, as baleias estalaram com mais frequência e mudaram o estilo, sugerindo que elas estavam felizes pelo parto.

Gero acredita que as baleias dessa espécie devem ter habilidades de comunicação avançadas. “O cérebro delas realiza muito mais trabalho do que simplesmente dizer ‘você é meu irmão’, ou ‘você tem o meu cheiro’, ou ‘você passa muito tempo comigo’”.


*Sob supervisão de Éric Moreira