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NASA intensifica segurança da Artemis II às vésperas da missão

Agência reforça testes finais antes do lançamento da missão Artemis II, primeira a orbitar a lua em mais de 50 anos

Os astronautas Andre Douglas, Jenni Gibbons, Victor Glover, Reid Wiseman, Jeremy Hansen e Christina Koch diante do foguete SLS e da cápsula Orion no Centro Espacial Kennedy / Créditos: NASA / Joel Kowsky

Às vésperas de uma das missões mais aguardadas da história recente da exploração espacial, a NASA intensificou os protocolos de segurança da Artemis II, missão que deve levar quatro astronautas em uma viagem de aproximadamente dez dias ao redor da Lua. O lançamento está previsto para esta quarta-feira (1º), e as equipes da agência realizam as últimas verificações no foguete Space Launch System (SLS) e na cápsula Orion, com foco total na integridade da tripulação.

A missão marca o primeiro voo tripulado além da órbita baixa da Terra desde a Apollo 17, em 1972, e representa um passo decisivo para o programa Artemis, que pretende restabelecer a presença humana no entorno lunar e preparar futuras missões de pouso.

Segundo atualização divulgada pela própria NASA nesta terça-feira, 31, engenheiros concluíram testes críticos nos quatro motores RS-25 do SLS, verificando sensores, conexões e sistemas de diagnóstico. Paralelamente, a agência carregou completamente as baterias da Orion, fundamentais para sustentar aviônicos, suporte à vida e comunicações durante o lançamento e as primeiras etapas do voo.

Um dos principais focos da etapa final tem sido a segurança direta dos astronautas. Técnicos realizaram testes de vedação e pressão nos trajes espaciais dentro da própria cápsula, simulando situações de emergência como uma eventual despressurização da cabine. O objetivo é assegurar que os sistemas de proteção individual funcionem de forma imediata em caso de falha.

Artemis II

A tripulação da Artemis II é composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense. A missão também carrega um peso simbólico importante: Glover será a primeira pessoa negra, Koch a primeira mulher e Hansen o primeiro não-americano a viajar além da órbita terrestre baixa em uma missão lunar.

O reforço nas medidas de segurança também responde às preocupações levantadas após a missão Artemis I, em 2022. Embora o voo não tripulado tenha sido considerado um sucesso, a cápsula Orion apresentou danos significativos no escudo térmico durante a reentrada atmosférica, o que levou a NASA a revisar componentes e protocolos para a missão atual.

Além dos sistemas internos da nave, a agência monitora de perto as condições meteorológicas e o clima espacial. A previsão inicial indica 80% de chance de condições favoráveis para o lançamento da Artemis II, mas especialistas seguem atentos a nuvens cúmulo, ventos em solo e atividade solar, fatores que podem afetar tanto a decolagem quanto a exposição da tripulação à radiação no espaço profundo.

Esse ponto é especialmente sensível porque, ao contrário de missões em órbita terrestre, a Artemis II levará a tripulação para além do campo magnético protetor da Terra. Isso aumenta a vulnerabilidade a tempestades solares, ejeções de massa coronal e raios cósmicos, razão pela qual a NASA opera em conjunto com centros de previsão meteorológica espacial dos Estados Unidos.

A trajetória prevista é de retorno livre, semelhante à usada na Apollo 13: a nave contornará a Lua e retornará à Terra sem entrar em órbita lunar. O percurso foi desenhado justamente para maximizar a segurança da missão, permitindo que a própria dinâmica gravitacional do sistema Terra-Lua auxilie no retorno da cápsula caso ocorram imprevistos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.