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Morre Eva Schloss, sobrevivente de Auschwitz e meia-irmã de Anne Frank

Sobrevivente de Auschwitz, Eva Schloss morreu aos 96 anos após dedicar décadas à educação sobre o Holocausto e à luta contra o antissemitismo

Eva Schloss, escritora e sobrevivente do Holocausto, durante sessão de retratos em Paris, em 2009 / Créditos: Getty Images

No último sábado, 3, Eva Schloss morreu em Londres, aos 96 anos. Sobrevivente do Holocausto, meia-irmã de Anne Frank e uma das vozes mais importantes na preservação da memória do genocídio nazista, teve a morte anunciada por sua fundação em comunicado oficial.

Segundo a família, a morte de Eva foi recebida com profunda tristeza. Em nota, ela foi lembrada como uma “mulher extraordinária”, que sobreviveu a Auschwitz e dedicou a vida à educação sobre o Holocausto e à defesa da memória, do diálogo e da paz.

Trajetória e reconhecimento

Eva Schloss esteve entre as fundadoras da organização Anne Frank UK, criada em 1990 com o objetivo de preservar a memória do Holocausto, promover a educação e combater o preconceito. Em reconhecimento à sua trajetória, o rei Charles III e a rainha Camilla lamentaram sua morte.

Camilla é madrinha da Fundação Anne Frank UK, cofundada por Schloss. Em mensagem publicada na rede social X, o casal afirmou estar profundamente entristecido e disse ter sido um privilégio conhecê-la. Em 2022, durante um evento em Londres, o monarca chegou a dançar com Schloss.

Infância durante a guerra

Eva Schloss nasceu em 1929, na Áustria, com o sobrenome Geiringer. Ela ainda era criança quando o país foi invadido pelos nazistas. Diante da perseguição aos judeus, a família fugiu primeiro para a Bélgica e depois para Amsterdã, na Holanda, onde passou a morar em frente à casa de Anne Frank, mais tarde conhecida mundialmente pelo diário escrito durante o período em que esteve escondida.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, como tinham a mesma idade, Eva e Anne conviviam e brincavam juntas. A partir de 1942, no entanto, ambas as famílias precisaram se esconder para escapar da deportação. Dois anos depois, foram denunciadas por um simpatizante do regime nazista.

Sobrevivência e legado

Eva foi presa com a mãe, Elfriede, o pai, Erich, e o irmão Heinz no dia em que completava 15 anos e deportada para Auschwitz, em maio de 1944. No campo, conseguiu permanecer com a mãe, mas foi separada do pai e do irmão, que morreram. Já Anne Frank morreu em 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.

Após a libertação, em 1945, Eva mudou-se para Londres, onde retomou os estudos e conheceu o futuro marido, Zvi Schloss. Sua mãe voltou a Amsterdã e, em 1953, casou-se com Otto Frank, pai de Anne.

Ao longo da vida, Eva teve três filhas, tornou-se cidadã britânica e, em 2021, recuperou a nacionalidade austríaca. Autora de livros, dedicou-se a relatar sua história e a alertar sobre o antissemitismo. Segundo a Fundação Anne Frank UK, manteve intensa atuação pública até a velhice, com palestras em escolas e prisões.