Monte Everest pode não ser a montanha mais alta do mundo? Entenda!
Matemático propõe novo método de medição de montanhas que muda completamente lista de maiores montanhas do mundo; Everest cai para a 46ª posição

Desde tempos antigos, a elevação tem sido o padrão adotado para medir montanhas, considerando a altura de um pico em relação ao nível do mar como referência. Embora o termo “altitude” seja amplamente utilizado, é importante notar que a altitude pode ser medida a partir de qualquer ponto, enquanto a elevação é sempre relacionada ao nível do mar.
Essa definição tem sido amplamente divulgada em livros didáticos, almanaques, revistas de turismo e até mesmo em programas de televisão, levando ao reconhecimento de montanhas icônicas como Everest, Aconcágua e Pico da Neblina, que se destacam por suas altitudes impressionantes.
Entretanto, uma nova abordagem propõe uma maneira alternativa de avaliar as montanhas, indo além da simples medição de altura. Essa metodologia visa quantificar o impacto visual que uma montanha pode causar, um conceito que pode ser descrito como o “nível de embasbacamento”.
A limitação da altitude tradicional na classificação das montanhas é discutida pelo professor Antônio Paulo de Faria, do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que argumenta que a avaliação da altura relativa ao relevo é mais pertinente. Ele explica que uma montanha deve ter uma elevação mínima de 300 metros em relação à sua base para ser classificada adequadamente, como é o caso do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro, com 392 metros de altura.
Por outro lado, o Pico das Agulhas Negras, localizado em Itatiaia (RJ), possui uma altitude significativa de 2.791 metros. Contudo, sua elevação relativa não ultrapassa 490 metros devido à sua base elevada. Essa análise revela que a percepção da imponência de uma montanha depende não apenas da altura absoluta, mas também da sua configuração geográfica.
Outro fator crucial na avaliação das montanhas é a inclinação. Montanhas com ângulos mais íngremes tendem a parecer mais grandiosas. É nesse contexto que entra a fórmula do jut.
O termo “jut”, derivado do inglês que significa “projeção”, reflete a ideia de quão abruptamente uma montanha se eleva em direção ao céu. A fórmula calcula o jut levando em consideração tanto a altura do pico quanto a inclinação entre a base e o cume. Quanto maior essa projeção, maior será a percepção da majestade da montanha.
Por exemplo, duas montanhas com uma elevação idêntica podem apresentar diferentes valores de jut dependendo da inclinação. Um paredão vertical com 100 metros e 90 graus de inclinação poderá ter o mesmo jut que um morro com 141 metros e 45 graus de inclinação.
Outro aspecto relevante é o local de observação. O Pão de Açúcar é mais imponente quando visto do bairro da Urca do que quando observado do alto do Morro da Urca. Para calcular esse efeito visual idealmente impressionante, foi desenvolvida uma função trigonométrica representada pela equação Q = h x (sen θ), onde Q representa o jut.
A origem dessa fórmula remonta ao estudante Kai Xu da Universidade Yale, que criou o conceito em 2022 inspirado pelas majestosas montanhas californianas durante sua infância. Xu se junta a um longo legado de cientistas e exploradores que têm buscado métodos precisos para medir montanhas ao longo da história.
Novas estimativas
No Brasil, com os avanços tecnológicos e novos métodos de medição, recordes foram redefinidos. Por exemplo, o Pico da Bandeira era considerado o ponto mais alto do Brasil até que se constatou que o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março são ainda mais altos.
A análise do jut revela que o Pico da Bandeira não está nem mesmo entre os 15 primeiros lugares no Brasil nesse novo critério. Montanhas como Pedra da Gávea e Monte Roraima superam sua classificação em termos de jut, conforme repercute a Revista Galileu.
A discussão sobre as montanhas mais impressionantes vai além das meras medições tradicionais; por exemplo, embora o Everest seja reconhecido como a montanha mais alta do mundo pela altitude convencional, com seu pico a 8.849 metros acima do nível do mar, ele ocupa apenas a 46ª posição no ranking global baseado no jut.
No topo desse ranking está Annapurna Fang no Nepal com um jut extraordinário de 3.412 metros (e uma elevação de 7.647 metros). Em sequência, estão Nanga Parbar, no Paquistão, com jut de 3.146 metros, e elevação de 8.126 m; Gyala Peri, na China, com jut de 3.102 m e elevação de 7.294 m; Dhaulagiri, no Nepal, com jut de 3.082 m e elevação de 8.167 m; e Machapuchare, também no Nepal, com jut de 3.049 m, e elevação de 6.993 m.
Para acessar mais informações sobre o jut de diferentes montanhas, Kai Xu criou o site peakjut.com.