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Moedas de ouro celtas de 2.300 anos são descobertas em pântano na Suíça

Arqueólogos descobrem duas raras moedas de ouro celtas cunhadas há cerca de 2.300 anos em um pântano na Suíça, que podem ter sido oferendas aos deuses

Frente e verso das duas moedas de ouro celtas descobertas na Suíça / Crédito: Divulgação/Archaeology Baselland/Nicole Gebhard

Recentemente, durante uma pesquisa em um pântano na Suíça, dois arqueólogos voluntários fizeram uma descoberta notável: duas moedas de ouro celtas que podem ser algumas das mais antigas já encontradas no país. Acredita-se que essas moedas tenham sido oferecidas a divindades antigas.

As moedas, ambas de ouro, foram cunhadas há aproximadamente 2.300 anos, datando do século 3 a.C. Segundo arqueólogos suíços, “isso as torna parte de um grupo muito pequeno de pouco mais de 20 exemplares conhecidos das moedas celtas mais antigas da Suíça”, conforme informado em um comunicado traduzido divulgado em 18 de dezembro.

Uma das moedas é um estáter com peso de 7,8 gramas, enquanto a outra é um quarto de estáter pesando 1,86 gramas. O termo “estáter” tem origem nas moedas da Grécia Antiga. No final do século 4 a.C., os celtas da Europa continental começaram a receber moedas gregas como pagamento por seus serviços como mercenários. Essas moedas logo inspiraram a cunhagem celta que começou no início do século 3 a.C., conforme mencionado na declaração.

No caso dessas descobertas, os estáteres de ouro imitaram moedas cunhadas durante o reinado de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande. Ambas as moedas apresentam o perfil do deus grego Apolo no lado anverso (lado da “cara”) e uma carruagem com dois cavalos no lado reverso (lado da “coroa”).

No entanto, as novas moedas apresentam modificações sutis em relação aos seus originais gregos. Por exemplo, no reverso da moeda menor, pode-se observar uma espiral tripla sob os cavalos. Este símbolo, conhecido como triskele ou triskelion, é recorrente na arte celta, repercute o Live Science.

A descoberta das raras moedas ocorreu principalmente por intuição. Entre 2022 e 2023, arqueólogos voluntários do departamento local de Arqueologia Baselland já haviam encontrado 34 moedas de prata celta na mesma região — o pântano Bärenfels próximo ao município de Arisdorf. Motivados por essa descoberta anterior, Wolfgang Niederberger e Daniel Mona, também voluntários da Arqueologia Baselland, realizaram investigações adicionais na primavera de 2025 e acabaram encontrando as duas moedas de ouro.

Oferendas aos deuses?

Conforme sugerido na declaração oficial, é plausível que essas duas moedas tenham sido depositadas como ofertas a divindades. “Especialistas presumem que as moedas de ouro celtas não eram usadas em transações cotidianas. Elas eram valiosas demais para isso”, afirmaram os arqueólogos. Além de pagamentos salariais, elas poderiam ter sido usadas como presentes diplomáticos ou para alcançar objetivos políticos e como dotes.

As moedas celtas costumam ser encontradas próximas a pântanos e corpos d’água. Essa tendência se repete em Arisdorf, onde buracos cheios d’água caracterizam o pântano Bärenfels. Os celtas consideravam esses locais sagrados e dedicados aos deuses; portanto, é razoável supor que as moedas tenham sido intencionalmente colocadas ali como ofertas.

A partir de março de 2026, ambas as moedas estarão expostas juntas, juntamente com as moedas de prata do mesmo local, em uma exibição especial na cidade de Basel.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.