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Ruínas no Limmat revelam antigo centro político romano na Suíça

Arqueólogos reconstruíram três grandes edifícios romanos e identificaram atividades políticas, comerciais e jurídicas às margens do rio Limmat

Reconstrução visual do complexo romano às margens do rio Limmat / Crédito: Arqueologia Cantonal, © Cantão de Aargau

As escavações realizadas às margens do rio Limmat, em Gebenstorf, estão remodelando o entendimento sobre a presença romana no norte da Suíça. Ao longo de quatorze meses de investigação, arqueólogos documentaram um conjunto monumental que vai além de um simples ponto de comércio.

A análise detalhada sugere que ali se estruturava um centro político e administrativo que, embora planejado, jamais se consolidou plenamente. Conforme os pesquisadores avançaram, a dimensão do sítio se tornou evidente.

Centro multifuncional

Mais de 4.000 estruturas, centenas de plantas e mais de mil achados revelaram a amplitude do assentamento romano em Gebenstorf. Conforme informações repercutidas pela Archaeology News, entre estiletes, moedas, pesos e até uma régua dobrável surge o retrato de um espaço que articulava comércio, registro de informações e tomada de decisões, refletindo a presença ativa de unidades da 11ª Legião em Vindonissa.

À medida que os especialistas aprofundaram as análises, tornou-se possível reconstruir integralmente o complexo arquitetônico, composto por três grandes edifícios alinhados à margem do rio Limmat. Um conjunto que impressiona pela variedade de funções.

O edifício ocidental aparenta ser um pórtico de naves duplas com passarelas colunadas, enquanto o bloco central abriga um salão parcialmente subterrâneo, típico dos criptopórticos associados a fóruns provinciais. Já o edifício oriental, marcado por múltiplos cômodos, pátios internos e passagens, sugere um nível de planejamento urbano que nunca chegou a se completar.

Indícios de consumo

Entre os achados mais marcantes, uma ânfora recuperada em bloco de solo se destacou por conservar uma camada compacta de sedimento. Após a limpeza feita com peneiras finas na Universidade de Basileia, os pesquisadores identificaram escamas e pequenos ossos de Sardina pilchardus, confirmando que molhos de peixe eram importados para essa região alpina. A análise da argila indica uma provável origem bética, embora a Gália também permaneça como possibilidade.

Ânfora em grande parte recuperada na posição original, com fragmentos do corpo ainda preenchidos por sedimento. / Crédito: Arqueologia Cantonal, © Cantão de Aargau

Esses indícios microscópicos, preservados dentro de um único vaso, ampliam o mapa do consumo alimentar na Suíça romana e reforçam a complexidade cultural e logística do sítio às margens do Limmat, um lugar planejado para ser cidade, mas que acabou permanecendo apenas como vestígio de uma ambição imperial interrompida.