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Notícias / Herculano

Mistério de cérebro transformado em vidro em 79 d.C pode ter sido resolvido

Pesquisadores podem ter finalmente desvendado mistério de fenômeno raro ocorrido após a erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C.

por Giovanna Gomes
ggomes@caras.com.br

Publicado em 27/02/2025, às 14h40 - Atualizado às 16h15

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Material encontrado dentro de crânio de vítima da erupção do vesúvio - Divulgação/Pier Paolo Petrone
Material encontrado dentro de crânio de vítima da erupção do vesúvio - Divulgação/Pier Paolo Petrone

Pesquisadores descobriram uma possível explicação para um fenômeno raro ocorrido em 79 d.C., quando o cérebro de um homem que morreu na erupção do Monte Vesúvio, perto de Pompeia, aparentemente se transformou em vidro. Por muito tempo, cientistas debateram como isso poderia ter acontecido, já que os fluxos piroclásticos de cinzas, rochas e gases que o enterraram não teriam sido quentes nem resfriados rapidamente o suficiente para vitrificar o tecido cerebral.

Agora, um novo estudo sugere que esses fluxos foram precedidos por uma nuvem de cinzas superaquecida, que primeiro aqueceu rapidamente e depois resfriou o cérebro do homem, resultando na sua transformação em vidro. A pesquisa foi publicada na revista Scientific Reports e adiciona novas evidências à hipótese inicial levantada em 2020, que gerou debates entre especialistas.

Segundo Guido Giordano, geólogo e vulcanólogo da Universidade Roma Tre, na Itália, a teoria é sustentada por análises de fragmentos de carvão encontrados próximos aos restos do homem em Herculano, cidade destruída pela mesma erupção. Estudos de outras erupções recentes, como a do Monte Unzen (Japão, 1991) e do vulcão Fuego (Guatemala, 2018), mostraram que essas nuvens de cinzas podem atingir temperaturas superiores a 510°C — o suficiente para vitrificar tecido humano antes de se dissiparem rapidamente.

Apesar das novas descobertas, a controvérsia persiste. Alguns pesquisadores questionam se o material vítreo encontrado nos restos mortais realmente pertence ao cérebro da vítima. Em 2020, um estudo liderado pela arqueóloga molecular Alexandra Morton-Hayward argumentou que os fluxos piroclásticos em Herculano não teriam sido quentes ou rápidos o bastante para causar esse efeito, e que amostras do material não foram disponibilizadas para análise independente.

Os restos mortais do homem foram descobertos na década de 1960, deitado sobre uma cama dentro do Collegium Augustalium, um edifício cívico dedicado ao culto do imperador romano.

Novo estudo

O novo estudo de Giordano e sua equipe apresenta uma análise microscópica indicando a presença de estruturas cerebrais dentro do material vítreo, reforçando a hipótese de que se trata, de fato, de tecido cerebral vitrificado.

Para o arqueólogo Pedar Foss, da Universidade DePauw, nos Estados Unidos, ainda não há uma conclusão definitiva. “Estou feliz que este trabalho esteja sendo feito, mas há mais coisas que precisam acontecer antes que possam ser confirmados”, afirmou ele à Live Science.

+ Confira aqui o novo estudo.