Mistério da Tapeçaria de Bayeux pode ter sido solucionado após quase mil anos
Pesquisa sugere que a tapeçaria era exibida durante as refeições dos monges da Abadia de Santo Agostinho, na Inglaterra

Historiadores podem ter solucionado um dos principais mistérios em torno da Tapeçaria de Bayeux quase mil anos após sua produção. Segundo o professor Benjamin Pohl, historiador da Universidade de Bristol, a obra teria sido concebida para ser exibida durante as refeições dos monges medievais, funcionando como uma narrativa visual em um espaço coletivo. De acordo com o pesquisador, a tapeçaria ficava pendurada nas paredes da Abadia de Santo Agostinho, em Canterbury, no sudeste da Inglaterra.
Segundo Pohl, assim como ocorre atualmente, as refeições na Idade Média eram ocasiões centrais da vida comunitária. Esses momentos envolviam não apenas alimentação, mas também encontros sociais, reflexão coletiva, hospitalidade, entretenimento e a celebração da identidade do grupo monástico. Nesse contexto, a Tapeçaria de Bayeux teria encontrado um ambiente ideal para sua exibição contínua.
Origem da obra
Apesar de ser considerada um dos patrimônios culturais mais importantes do mundo, a tapeçaria ainda guarda muitas incertezas sobre suas origens. Conforme informações repercutidas pelo Daily Mail, as evidências analisadas por Pohl indicam que a Abadia de Santo Agostinho seria o local mais provável de sua produção. Segundo o historiador, uma equipe de bordadeiras altamente qualificadas teria confeccionado a obra no final do século 11, provavelmente na década de 1080.
Exibição no refeitório
Além disso, o estudo sugere que a tapeçaria esteve originalmente pendurada no refeitório da abadia, uma grande sala comunitária recém-construída onde as refeições eram realizadas em conjunto. De acordo com a pesquisa, a peça teria sido instalada aproximadamente à altura da cabeça ou um pouco acima, permitindo que seus detalhes fossem facilmente observados pelos monges e convidados enquanto estavam sentados à mesa.
Os registros acadêmicos apontam que, nesse período, a alimentação dos monges era relativamente simples, baseada principalmente em pão, cerveja leve e peixe, com consumo ocasional de carne. Ainda assim, o refeitório era considerado um espaço simbólico importante, o que reforça a hipótese de que a tapeçaria cumpria um papel central na vida cotidiana da comunidade.
Debate acadêmico
Com cerca de 70 metros de comprimento, a Tapeçaria de Bayeux narra os eventos que antecederam e sucederam a conquista da Inglaterra pelo duque da Normandia, Guilherme, o Conquistador, em 1066. Tradicionalmente, muitos estudiosos defendem que a obra teria sido encomendada pelo bispo Odo de Bayeux, meio-irmão de Guilherme, para ornamentar a catedral francesa de Bayeux.
No entanto, Pohl contesta essa interpretação. Segundo o historiador, embora a participação de Odo não possa ser descartada, o conjunto de evidências analisadas indica que a tapeçaria sempre teve como destino a Abadia de Santo Agostinho. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Historical Research.
No próximo ano, a Tapeçaria de Bayeux será exibida no Museu Britânico. Isso marca o seu primeiro retorno ao Reino Unido desde que foi criada há quase mil anos.