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Ministro israelense diz que Lula é ‘antissemita e apoiador do Hamas’

Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz acusou o presidente Lula de "antissemita declarado e apoiador do Hamas", e o relacionou ao líder supremo do Irã

Israel Katz e o presidente Lula / Crédito: Getty Images

O clima diplomático entre Brasil e Israel se deteriorou ainda mais após declarações polêmicas do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz. Em uma publicação na rede social X, Katz descreveu o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, como um “antissemita declarado e apoiador do Hamas“, em resposta à recente decisão do Brasil de se retirar da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).

A retirada do Brasil da IHRA, ocorrida no final de julho, foi criticada por Katz, que alegou que tal movimento coloca o país ao lado de regimes que negam o Holocausto e ameaçam a existência do Estado de Israel. Em sua postagem, o ministro insinuou uma conexão entre Lula e o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, utilizando uma imagem gerada por inteligência artificial que retratava Lula como um fantoche sob controle de Khamenei.

“Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA — o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel — colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel”, escreveu Katz.

A IHRA, estabelecida na década de 1990 e à qual o Brasil aderiu em 2021, tem como objetivo primordial combater o antissemitismo e promover a educação sobre o Holocausto em nível global. A decisão do governo brasileiro foi contestada pela organização pró-Israel StandWithUs, que refutou as justificativas apresentadas pelo embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais. Em uma entrevista ao programa Roda Viva, Amorim afirmou que o Brasil se sentia “manipulado” pela definição de antissemitismo vigente na aliança e criticou pressões internas que considerava inadequadas.

Amorim também enfatizou que o Brasil não nega a ocorrência do Holocausto e recordou visitas anteriores de Lula ao Museu do Holocausto em Israel. No entanto, ele argumentou que a memória do Holocausto não deve ser utilizada como justificativa para ações que ele descreveu como “genocídio na Palestina“.

Tensão crescente

As tensões entre os dois países se intensificaram ainda mais quando, em 25 de setembro, o governo israelense retirou a indicação do diplomata Gali Dagan para assumir o cargo de embaixador em Brasília. Essa nomeação estava pendente desde janeiro e não obteve resposta positiva do governo brasileiro. Com a falta de avanço nas relações diplomáticas, Israel alertou que isso teria consequências negativas nas interações bilaterais.

Fontes indicam que representantes israelenses tentaram diálogo com o Itamaraty na esperança de destravar a nomeação de um novo embaixador. Contudo, segundo informações apuradas pela CNN, o governo brasileiro não demonstrou interesse em restabelecer laços diplomáticos mais estreitos com Israel enquanto perdurasse a situação de conflito em Gaza.

A crise se agravou após o Brasil apoiar processos judiciais contra Israel na Corte Internacional de Justiça relacionados a alegações de genocídio. Lula também criticou abertamente o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, levando-o a ser considerado “persona non grata” no país. Em meio a essa crise diplomática crescente, em maio deste ano, Lula decidiu transferir o embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, para Genebra após um incidente constrangedor ocorrido durante uma visita ao Museu do Holocausto.

Durante essa visita, Meyer ouviu críticas diretas sobre as declarações de Lula comparando as ações israelenses às práticas nazistas contra os judeus. O tratamento recebido pelo embaixador foi considerado “inaceitável” pelo governo brasileiro e refletiu um resfriamento significativo nas relações entre os dois países.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.