Notícias / Animais

Milionários se mobilizam para tentar resgatar baleia jubarte encalhada na Alemanha

Timmy, baleia jubarte de 12 toneladas, virou símbolo de comoção pública enquanto milionários financiam uma última missão de resgate no Mar Báltico

Timmy, a baleia jubarte encalhada na Alemanha / Crédito: Divulgação/Sea Shepherd Germany

Uma operação de resgate de última hora para tentar salvar uma baleia jubarte encalhada no Mar Báltico mobilizou equipes de resgate, autoridades e patrocinadores privados na Alemanha, apesar das críticas de especialistas e ambientalistas sobre as baixas chances de sucesso e os riscos adicionais ao animal.

A baleia, um macho de cerca de 10 metros de comprimento e 12 toneladas apelidado de Timmy, foi vista pela primeira vez no mês passado perto de Timmendorfer Strand, no litoral norte da Alemanha. Desde então, o mamífero encalhou diversas vezes, conseguindo se soltar em episódios anteriores com ajuda humana. Agora, porém, voltou a ficar preso e, segundo os socorristas, luta para sobreviver.

A nova tentativa de resgate só foi viabilizada após dois multimilionários financiarem a missão, num momento em que as autoridades regionais já davam sinais de que poderiam encerrar os esforços oficiais e deixar o animal morrer. A operação recebeu aval do governo local.

Um dos financiadores, Walter Gunz, afirmou que, sem a mobilização, a baleia não teria qualquer chance. “Pelo menos, se você tentar algo, terá uma chance de salvá-la”, disse ele à agência de notícias alemã DPA.

A operação, apelidada pela imprensa local de “Operação Almofada”, começou com seis integrantes da equipe entrando na água até a cintura para alcançar o animal. O plano prevê a retirada do lodo acumulado sob as nadadeiras da baleia, seguida da colocação de almofadas de ar para elevar Timmy com cuidado sobre uma lona presa a pontões posicionados em ambos os lados.

Se essa etapa for bem-sucedida, o objetivo é rebocar a baleia de barco até o Mar do Norte e, possivelmente, levá-la ao Oceano Atlântico, numa tentativa final de soltá-la em águas consideradas mais adequadas à sua sobrevivência, de acordo com o The Guardian.

Encalhe de Timmy

Segundo relatos, Timmy entrou no Mar Báltico possivelmente ao perseguir cardumes de arenque. A baixa salinidade da região, no entanto, não é favorável à espécie. Além disso, a baleia apresenta ferimentos nas costas e uma infecção de pele, o que agravou seu quadro de saúde.

O grupo ambientalista Greenpeace, que já havia participado de tentativas anteriores de resgate, criticou a nova operação. A entidade classificou o animal como “doente e gravemente debilitado” e citou avaliações do Museu Oceanográfico Alemão e do Instituto de Pesquisa da Vida Selvagem Terrestre e Aquática, que apontam chances extremamente baixas de sobrevivência e alto risco de lesões durante a missão.

“Agora estamos concentrando nossos esforços na promoção da proteção dos oceanos, inclusive como habitat para baleias”, disse um porta-voz do Greenpeace.

A repercussão do caso também ganhou contornos políticos. Críticos apontam que a disputa eleitoral prevista para setembro em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental pode estar influenciando parte das manifestações públicas sobre o resgate.

O Ministério do Meio Ambiente do estado afirmou que a iniciativa, cofinanciada também pela organizadora de eventos equestres Karin Walter-Mommert, é de inteira responsabilidade dos envolvidos.

Os resgates patrocinados pelo Estado haviam sido suspensos em 1º de abril, mas a situação da baleia mobilizou a opinião pública e impulsionou um movimento de apoio ao animal. Na quarta-feira, o ministro regional do Meio Ambiente, Till Backhaus, anunciou apoio à operação e afirmou estar “muito feliz” com a possibilidade de uma última tentativa.

Não está ativo, e certamente não é ágil, mas ainda demonstra que há vida nele”, disse Backhaus.

Nesta quinta-feira, 16, o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que estava em visita à cidade costeira de Stralsund, reuniu-se com especialistas veterinários para discutir a situação de Timmy.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.