Notícias / Paleontologia

Anta de 4 milhões de anos é o esqueleto mais completo encontrado na Europa

Esqueleto quase completo de uma Anta de 4 milhões de anos foi encontrado na Espanha; cientistas dizem abrir novas perspectivas

Fotografia de esqueleto de jovem anta de 4 milhões de anos
Fotografia de esqueleto de jovem anta de 4 milhões de anos - Créditos: Reprodução/Gerard Campeny / IPHES-CERCA

Nos últimos meses, uma equipe de paleontólogos, liderados pelo IPHES-CERCA, vêm descobrindo uma série de fósseis em Camp dels Ninots, em Girona, Espanha. Porém, o esqueleto de uma jovem anta de 4 milhões de anos chamou a atenção por ser o mais completo encontrado na Europa.

O sítio arqueológico já é reconhecido por ser rico em ossadas do Plioceno. Mas pela primeira vez os ossos de uma anta foram encontrados, na sua maioria, intactos e ainda em posição anatômica. Ou seja, o fóssil encontrado propõe uma visão mais completa desses animais extintos há milhões de anos.

A pesquisa e as antas

Durante as pesquisas, cerca de 7 fósseis de antas de diferentes sexos e idades já haviam sido encontrados. Uma das características que enaltecem esse sítio arqueológico. Mas a anta quase em perfeito estado, de tamanha qualidade, virou referência para a análise de todas as outras encontradas.

A espécie Tapirus arvernensis, uma das últimas espécies de anta a viver na Europa, no geral é bem parecida com as antas encontradas no Sudeste Asiático e na América do Sul. Sua anatomia de corpos fortes, herbívoros e com o característico focinho alongado se manteve.

Contudo, para além da comparação, o encontro de antas pré-históricas em diferentes fases de crescimento é crucial para a ciência. Com esses dados, é possível que os paleontólogos consigam capturar todo o crescimento e desenvolvimento da espécie.

Atualmente, as pesquisas ainda estão em andamento e continuará até a metade desse mês. Assim, especialistas de diferentes áreas como geologia, paleontologia, biologia, arqueologia, conservação e restauração, junto aos estudantes de pós-graduação da Universitat Rovira i Virgili poderão conferir os esqueletos.

Surpreendentemente, o fóssil foi encontrado em uma região que era um antigo vulcão que se transformou em um lago. Os sedimentos magmáticos transformaram o entorno do vulcão em uma região fértil e perfeita para atrair animais herbívoros como as antas.

Assim, justamente essas mesmas características, criaram condições favoráveis à preservação dos restos orgânicos em Camp dels Ninots. Conforme a Archaeology Magazine, possivelmente a emissão de gases vulcânicos pode ter matado quimicamente as antas, o que explicaria a falta de machucados por carnívoros e a organização dos ossos.

De qualquer maneira, a juvenil anta de 4 milhões de anos já se tornou um dos fósseis mais importantes do gênero e conta com muitos estudos para conseguir responder mais sobre o passado desses animais tão simpáticos.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: