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Pequenos esqueletos de ‘T. Rex’ não eram tiranossauros

Nova análise dos famosos “dinossauros duelistas” mostra que o pequeno predador que enfrentou um Triceratops não era um T. rex juvenil

Ilustração de alguns Nanotyrannus atacando um T. rex juvenil - Divulgação/Anthony Hutchings

Por décadas, paleontólogos debateram se o Nanotyrannus era apenas um jovem Tyrannosaurus rex ou uma espécie distinta. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Nature, coloca fim à disputa — e muda completamente o que se sabia sobre os reis do Cretáceo.

A resposta veio de um fóssil icônico: os chamados “dinossauros duelistas”, um Triceratops e um predador travado em combate mortal, encontrados em 2006 na formação de Hell Creek, em Montana (EUA). A análise detalhada do espécime revelou que o carnívoro, menor e mais esguio do que o T. rex, era um Nanotyrannus adulto, não um filhote.

Predador esquecido

Com cerca de cinco metros de comprimento e pouco mais de dois de altura, o Nanotyrannus não aterrorizava mamíferos a quilômetros de distância, mas era rápido, ágil e letal. Segundo os pesquisadores Lindsay Zannoe James Napoli, o fóssil mostra proporções corporais diferentes das do T. rex: patas e dedos mais longos, cauda distinta e braços mais desenvolvidos.

Essas características indicam que o animal atingira a maturidade — desmontando a hipótese de que fosse um estágio juvenil do tiranossauro. “Este fóssil não apenas encerra o debate, como também revoluciona décadas de pesquisa sobre o T. rex”, afirmou Zanno.

Os cientistas descobriram ainda duas espécies diferentes de Nanotyrannus: N. lancensis e N. lethaeus. Esta última recebeu o nome do rio mitológico Lete, símbolo do esquecimento, em alusão ao fato de o fóssil ter ficado décadas “esquecido” em coleções antes de ser reconhecido por sua importância.

Nova árvore genealógica

A pesquisa conclui que os Nanotyrannus não pertencem à família Tyrannosauridae, mas sim a um ramo mais antigo dos tiranossauroides — predadores aparentados, porém evolutivamente distintos. Isso significa que durante o final do Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos, T. rex e Nanotyrannus coexistiram, talvez competindo por presas em ecossistemas diferentes.

Segundo o ‘HAARETZ’, o estudo também sugere que outros dinossauros carnívoros dos Apalaches, como Dryptosaurus e Appalachiosaurus, podem ser reclassificados como Nanotyrannus, alterando profundamente a contagem e a diversidade de tiranossaurídeos conhecidos.

Durante décadas, fósseis de Nanotyrannus foram usados para modelar o crescimento e o comportamento juvenil do T. rex. Agora, os cientistas afirmam que esses estudos precisam ser revistos. “Gerações de pesquisas baseadas em fósseis de Nanotyrannus atribuíram características erradas ao T. rex”, escreveram Zanno e Napoli.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli