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Estudo sugere que o sal impediu dinossauros de dominar os oceanos

Espinossauros possuíam estruturas capazes de eliminar o excesso de sal do organismo, mas a adaptação não era eficiente o suficiente para permitir uma vida plenamente marinha

Foto de stock retrata um Espinossauro na pré história - Getty Images

Os dinossauros conquistaram ambientes terrestres e deram origem a grupos capazes de ocupar os céus, mas nunca se tornaram os principais habitantes dos mares. Agora, um estudo publicado na revista Historical Biology sugere que uma das razões para isso pode ter sido justamente a dificuldade em lidar com o excesso de sal presente nos ambientes marinhos.

A pesquisa foi conduzida por cientistas europeus com a participação do pesquisador brasileiro Mauro B. S. Lacerda, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). E analisou fósseis de espinossauros, um grupo de dinossauros já conhecido por apresentar características associadas à vida aquática.

Um dinossauro com adaptações para a água

Os espinossauros sempre despertaram interesse entre os paleontólogos por apresentarem características incomuns entre os dinossauros. Seus dentes eram adequados para capturar peixes e suas caudas possuíam formato semelhante ao de um remo, sugerindo uma forte relação com ambientes aquáticos.

Essas adaptações já indicavam que o grupo passava boa parte do tempo na água. No entanto, sobreviver em ambientes marinhos exige mais do que apenas habilidades para nadar ou capturar presas aquáticas.

O principal desafio está na salinidade. O excesso de sal no sangue pode ser extremamente prejudicial aos organismos vivos, tornando necessária a existência de mecanismos capazes de eliminar esse mineral do corpo.

Foi justamente em busca dessas adaptações que os pesquisadores decidiram examinar diversos crânios fossilizados de espinossauros.

A pista encontrada acima dos olhos

Durante a análise dos fósseis, os cientistas identificaram depressões localizadas acima dos olhos de alguns exemplares. Essas estruturas chamaram a atenção da equipe por apresentarem características compatíveis com a presença de glândulas especializadas na eliminação de sal.

Segundo o estudo, essas glândulas poderiam ter desempenhado papel semelhante ao observado atualmente em alguns animais adaptados a ambientes salinos, como aves marinhas e iguanas marinhas.

A descoberta sugere que os espinossauros possuíam algum nível de adaptação para lidar com a ingestão de água salgada ou de presas provenientes de ambientes marinhos.

Uma adaptação limitada

Apesar da descoberta, os pesquisadores concluíram que essa estrutura provavelmente não era eficiente o suficiente para permitir uma ocupação plena dos mares.

Uma das hipóteses apresentadas está relacionada à posição das glândulas. Conforme explicou Andrea Cau, uma das autoras do estudo, as glândulas encontradas nos espinossauros ocupavam uma posição diferente daquela observada nas iguanas marinhas.

Enquanto nas iguanas as glândulas ficam protegidas dentro do crânio, nos espinossauros elas estariam localizadas acima da estrutura óssea. Essa diferença pode ter reduzido significativamente sua eficiência na eliminação do sal.

Os pesquisadores também destacam que é improvável que essas glândulas produzissem alterações visíveis na aparência externa dos animais.

Por que os dinossauros não dominaram os oceanos?

Com base nos resultados, o estudo sugere que a limitação na capacidade de expulsar o excesso de sal pode ter sido um dos fatores que impediram os dinossauros de se tornarem verdadeiros animais marinhos.

Mesmo possuindo adaptações para a vida aquática, os espinossauros provavelmente continuavam enfrentando dificuldades fisiológicas em ambientes de alta salinidade. Isso teria restringido sua presença nos oceanos e contribuído para que permanecessem associados a ambientes aquáticos mais específicos.

Os autores ressaltam que novas pesquisas serão necessárias para compreender melhor o funcionamento dessas estruturas e o grau de adaptação dos espinossauros à água salgada.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes