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Notícias / Astronomia

Maior do que a Via Láctea: jovem de 17 anos descobre eco de luz de buraco negro

Adolescente identificou vestígios luminosos — descritos como fantasmas cósmicos — enquanto vasculhava dados astronômicos em seu tempo livre

por Giovanna Gomes
ggomes@caras.com.br

Publicado em 24/03/2025, às 10h22

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Imagem do eco de luz de buraco negro - Divulgação/Julian Shapiro
Imagem do eco de luz de buraco negro - Divulgação/Julian Shapiro

Um jovem de 17 anos de idade fez uma descoberta impressionante ao detectar ecos de luz emitidos por um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia.

Julian Shapiro, estudante da Escola Dalton, em Nova York, identificou esses vestígios luminosos — descritos como “fantasmas cósmicos” — enquanto vasculhava dados astronômicos em seu tempo livre, entre aulas e inscrições para a faculdade. Seu achado foi apresentado no Global Physics Summit de 2025, promovido pela Sociedade Americana de Física (APS), na última quinta-feira, 20 de março.

Antes de um buraco negro “engasgar” ao absorver uma estrela — fenômeno que libera radiação intensa —, é possível observar nuvens gasosas ao redor sendo iluminadas, como se fossem fagulhas deixadas por uma chama extinta.

Shapiro detectou esses sinais ao analisar imagens do DECaPS2, um vasto levantamento do plano galáctico do sul, obtido pela Câmera de Energia Escura no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile. Inicialmente, ele buscava restos de supernovas e nebulosas planetárias, mas logo percebeu que havia encontrado algo diferente.

"Essas são algumas das regiões externas de gás sendo ionizadas por buracos negros supermassivos, cujo resultado é esse eco", explicou Shapiro, de acordo com a revista Galileu. O objeto que chamou sua atenção não apresentava os típicos filamentos de uma supernova, nem evidências de uma explosão estelar em seu centro. “Foi uma surpresa me deparar com isso”, contou o jovem em entrevista ao site Live Science.

A partir de análises adicionais com o Telescópio Africano do Sul, Shapiro detectou altas concentrações de oxigênio e enxofre ionizado espalhadas pela região — dois sinais claros de material que foi impactado por radiação intensa.

Estado de dormência

Para ele, as evidências indicam que se trata do brilho de um buraco negro que já entrou em estado de dormência, mas que, no passado, emitiu uma radiação poderosa o suficiente para ionizar o gás ao redor e fazê-lo brilhar por um tempo prolongado.

Julian estima que o eco de luz encontrado tenha entre 150.000 e 250.000 anos-luz de diâmetro — até duas vezes a largura da Via Láctea. Se confirmada, essa pode ser a maior estrutura desse tipo já observada. “Esse objeto cobre a grande área do céu que facilita a obtenção de imagens aprofundadas”, destacou Shapiro, que agora aguarda novas análises para aprofundar a compreensão sobre seu achado.