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Lucy, a ancestral humana que viveu há 3,18 milhões de anos, é exibida pela primeira vez na Europa

Fragmentos ósseos da Australopithecus Lucy foram enviados à Europa para exibição em museu

Fragmentos ósseos de Lucy - Crédito: Getty Images

Os fragmentos ósseos de Lucy, ancestral humana de 3,18 milhões de anos, chegaram da Etiópia para sua primeira exibição em solo europeu. A mostra foi inaugurada nesta segunda-feira, 25, no Museu Nacional de Praga. Descobertos em 1974, os restos do Australopithecus afarensis constituíram, à época, o esqueleto mais completo já encontrado de um hominídeo, transformando o entendimento sobre a evolução humana.

Lucy é exibida ao lado de Selam, fóssil de uma menina Australopithecus que viveu 100 mil anos antes dela e foi encontrado na mesma região etíope 25 anos depois. É a primeira vez que ambos são apresentados juntos fora da Etiópia.

“Ambos os esqueletos estão entre os mais preciosos exemplares do patrimônio mundial (…) estão sendo exibidos em um país europeu pela primeira vez na história”, destacou o primeiro-ministro tcheco, Petr Fiala, durante a abertura.

Selamawit Kassa, ministra do Turismo da Etiópia, ressaltou: “A Etiópia é incomparável por seu registro fóssil contínuo de ancestrais humanos, abrangendo seis milhões de anos, com 14 espécimes de ancestrais humanos, do Australopithecus ao Homo sapiens, descobertos”.

Segundo informações da AFP, a exposição “Origens Humanas e Fósseis” permanecerá aberta por 60 dias e reúne 52 fragmentos de Lucy, incluindo dentes fossilizados, partes do crânio, da pelve e do fêmur. O paleoantropólogo americano Donald Johanson, descobridor de Lucy, e o etíope Zeresenay Alemseged, que encontrou Selam, participaram da inauguração.

Johanson reforçou a importância da África como berço da humanidade: “Foi lá que nos diferenciamos dos macacos africanos pela primeira vez, onde nos posicionamos eretos pela primeira vez, onde nossos cérebros começaram a crescer, onde começamos a fazer arte e ferramentas de pedra especializadas, e onde nós, os chamados Homo sapiens, evoluímos.”

“Todos nós compartilhamos um ancestral comum, estamos unidos pelo nosso passado, e acho que este é um lembrete extremamente importante para a humanidade hoje”, acrescentou.

Música dos Beatles

Com cerca de 1,1 metro de altura, Lucy recebeu seu nome inspirado na canção Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles, tocada pela equipe durante a celebração da descoberta. Estudos indicam que ela morreu entre os 11 e 13 anos, já considerada adulta para sua espécie. Embora bípede, possuía braços fortes, adaptados para escalar árvores, e pernas relativamente fracas, menos eficientes para caminhar.

Uma análise de 2016 sugeriu que a morte de Lucy ocorreu após a queda de uma árvore, hipótese apoiada por fraturas em seus ossos. Apesar de por muito tempo ter sido considerada a mais antiga ancestral humana conhecida, ela foi superada em 1994 por Ardi, um Ardipithecus ramidus de 4,5 milhões de anos, e posteriormente pelo fóssil Toumai, descoberto no Chade, datado de até sete milhões de anos.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.