Japão registra queda do número de nascimentos pelo 10º ano consecutivo
Com 705 mil nascimentos em 2025, Japão soma dez anos seguidos de retração nos registros, ampliando desafios econômicos e sociais para o governo

O número de nascimentos no Japão voltou a cair em 2025, marcando o décimo ano consecutivo de retração, segundo dados preliminares divulgados nesta quinta-feira, 26, pelo Ministério da Saúde. O cenário reforça os desafios demográficos enfrentados pela recém-reeleita primeira-ministra Sanae Takaichi, que tem colocado o tema no centro do debate político.
De acordo com os números oficiais, foram registrados 705.809 nascimentos no ano passado — uma redução de 2,1% em relação a 2024. As estatísticas abrangem tanto crianças nascidas no Japão de pais japoneses e estrangeiros quanto filhos de cidadãos japoneses nascidos no exterior.
Preocupação
A tendência de queda ocorre em um contexto delicado para a quarta maior economia do mundo, que convive com elevada dívida pública, uma das menores taxas de natalidade do planeta e uma população em declínio contínuo. O encolhimento demográfico traz consequências estruturais, como escassez de mão de obra, aumento dos gastos com Previdência Social e diminuição do contingente de trabalhadores responsáveis pelo pagamento de impostos, repercute o UOL.
Ao longo dos últimos anos, sucessivos chefes de governo prometeram adotar políticas para estimular a natalidade, mas os resultados têm sido limitados. Takaichi, que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra na história do Japão, reiterou a gravidade da situação em discurso recente no Parlamento.
A diminuição da taxa de natalidade e a redução da população são uma situação de emergência silenciosa que vai corroer gradualmente a vitalidade do nosso país”, advertiu Takaichi na semana passada.
Entre as alternativas apontadas por analistas está o aumento da imigração, que poderia atenuar a redução populacional e seus impactos no mercado de trabalho. No entanto, a questão enfrenta resistência política. Sob pressão do partido Sanseito, que defende a política “Japão em primeiro lugar”, Takaichi prometeu adotar medidas mais rigorosas contra migrantes.
O impasse evidencia o desafio do governo em equilibrar demandas econômicas e pressões políticas internas. Enquanto a queda no número de nascimentos persiste, o Japão segue em busca de soluções capazes de frear o declínio populacional e preservar a sustentabilidade de seu modelo econômico e social.