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Infecção inusitada faz mulher espirrar vermes pelo nariz

Caso clínico incomum chamou a atenção da comunidade científica após uma mulher de 58 anos expelir larvas pelo nariz ao espirrar

Larvas nariz capa
Larvas da mosca varejeira-da-ovelha - Ilias P. Kioulos, Emmanouil Kokkas e Evangelia-Theophano Piperak

Um quadro médico tão incomum quanto perturbador foi registrado na Grécia e publicado nesta semana por especialistas em doenças infecciosas. Uma mulher de 58 anos procurou atendimento após relatar dores intensas na região central do rosto, acompanhadas por uma tosse severa que se desenvolveu ao longo de duas a três semanas. O caso ganhou contornos ainda mais extraordinários quando, durante um espirro, ela percebeu que “vermes” saíram de seu nariz.

Segundo o relato médico repercutido pelo Live Science, exames realizados por um especialista em ouvido, nariz e garganta revelaram a presença de larvas vivas nos seios maxilares, cavidades localizadas ao lado do nariz. Durante o procedimento cirúrgico, os médicos removeram dez larvas e uma pupa — estágio intermediário entre a fase larval e a mosca adulta.

Parasita no nariz

Após análise visual e genética, os organismos foram identificados como larvas da mosca-das-ovelhas (Oestrus ovis), um parasita normalmente encontrado nas vias nasais de ovelhas e cabras. A paciente trabalhava ao ar livre em uma ilha grega, próxima a um campo com rebanhos, o que pode explicar a contaminação. A infecção é classificada como miíase nasal, condição em que larvas de moscas se desenvolvem em tecidos humanos ou animais.

O que tornou o caso excepcional foi o fato de uma das larvas ter atingido o estágio de pupação ainda dentro do corpo humano. Em condições normais, isso é considerado biologicamente improvável, já que os seios nasais não costumam oferecer ambiente adequado para essa fase do ciclo de vida do inseto. Segundo os médicos, a paciente apresentava um desvio acentuado de septo nasal, o que pode ter impedido a saída natural das larvas e favorecido seu desenvolvimento anômalo.

Após a remoção cirúrgica e o uso de descongestionantes nasais, a mulher apresentou recuperação completa. Para os especialistas, o caso serve de alerta principalmente em regiões rurais e áreas com criação de animais, onde a presença desse tipo de parasita é mais comum.

O episódio foi descrito pelos autores do estudo como um fenômeno que pode indicar fatores anatômicos ainda pouco compreendidos — ou até uma adaptação rara do parasita ao organismo humano.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.