Homem pode ter sido sacrificado em forno na Alemanha há 5.000 anos
Arqueólogos encontraram homem da cultura da Cerâmica Cordada que pode ter sido vítima de sacrifício, sepultado em forno abandonado há 5.000 anos

Arqueólogos que trabalham em uma escavação no centro da Alemanha identificaram um sepultamento incomum datado de quase 5.000 anos atrás. O esqueleto de um jovem adulto foi encontrado dentro de uma antiga cova de forno, uma circunstância rara que levou pesquisadores a considerar diferentes hipóteses para sua morte, incluindo a possibilidade de sacrifício humano.
A descoberta ocorreu durante trabalhos arqueológicos realizados ao longo da construção de uma linha de transmissão de energia próxima a Gerstewitz, vila localizada na região central do país. No local, especialistas encontraram uma sepultura associada à cultura da Cerâmica Cordada, grupo que ocupou áreas do norte da Europa entre o final do Neolítico e a Idade do Bronze, aproximadamente entre 2900 e 2050 a.C.
Conhecida pelas marcas semelhantes a cordas presentes em suas cerâmicas, essa cultura seguia padrões funerários considerados bastante rígidos. Em geral, homens eram enterrados sobre o lado direito do corpo, enquanto mulheres eram colocadas sobre o lado esquerdo. Ambos costumavam ser sepultados em posição fetal e voltados para o sul. Apesar dessas normas, algumas sepulturas apresentam características fora do padrão.
Foi o que ocorreu em Gerstewitz. Os arqueólogos identificaram os restos mortais de um homem que teria cerca de 25 anos quando morreu. Embora estivesse em posição fetal e orientado para o sul, conforme os costumes da época, ele não foi enterrado em uma sepultura convencional nem sob um monte funerário. Em vez disso, seus restos foram encontrados em uma cova que anteriormente funcionava como forno.
Esse tipo de estrutura consistia em um buraco escavado no solo utilizado para queima de materiais, como madeira, alimentos ou argila. Além da localização incomum do sepultamento, os pesquisadores identificaram sinais de lesão no crânio do indivíduo, segundo comunicado.

Vítima de sacrifício?
Diante dessas evidências, especialistas levantaram três explicações possíveis para o caso. A primeira é que o ferimento tenha sido resultado de violência, indicando que o homem pode ter sido assassinado. Outra hipótese sugere que ele tenha morrido em algum confronto ocorrido durante a Idade do Cobre. Já a terceira possibilidade aponta para um contexto ritual, no qual o indivíduo teria sido sacrificado e posteriormente depositado na estrutura abandonada, segundo o Live Science.
Segundo Oliver Dietrich, arqueólogo do Escritório Estadual de Gestão do Patrimônio e Arqueologia da Saxônia-Anhalt, há registros de situações raras em que covas de fornos associadas à cultura da Cerâmica Cordada contêm ossos de vacas ou cães interpretados como oferendas destinadas a divindades desconhecidas.
Embora a hipótese de sacrifício humano seja considerada possível, o pesquisador destacou que análises laboratoriais futuras deverão fornecer informações mais precisas sobre a sepultura e sobre a identidade do homem encontrado.
A região de Gerstewitz já havia revelado evidências de práticas rituais em pesquisas anteriores. No ano passado, arqueólogos identificaram 12 fossas cercadas por um fosso que continham ossos de cães, crânios humanos e recipientes de cerâmica preservados.
As estruturas haviam sido seladas com restos de construções incendiadas. Outra sepultura humana também foi localizada em uma cova de forno reutilizada. Essas descobertas, porém, foram atribuídas à cultura Salzmünde, que existiu antes da cultura da Cerâmica Cordada.
As investigações arqueológicas na área indicam que o entorno de Gerstewitz foi ocupado por populações humanas durante mais de 6.000 anos. As escavações devem prosseguir ao menos até 2027, prazo previsto para a conclusão da linha de transmissão de energia que motivou as pesquisas.